Transporte público deve ser atrativo
Na discussão sobre garantias de mobilidade urbana e qualidade de vida para as próximas décadas, o transporte público tem papel prioritário. A diretora regional da Associação Nacional dos Transportes Públicos (ANTP), Yara Christina Eisenbach, adverte que a pouca importância dada ao transporte coletivo empurra o cidadão para o individual.
''Essa estratégia dos governos contribui para o aumento da frota e compromete a renda familiar com o custo do veículo e da manutenção, afeta a qualidade de vida, aumenta a poluição ambiental e acelera a condição das pessoas se isolarem em ilhas, onde não compartilham nada uns com os outros'', esmiuça Yara. Por outro lado, ela alinhava que para melhorar o trânsito nas médias e grandes cidades não basta só colocar mais ônibus nas ruas e aguardar que o restante se acomode. É preciso investimentos coerente e conjuntos.
Para Yara, uma estratégia eficiente deve incluir planejamento urbano, responsabilidade ambiental e a implementação de um transporte coletivo de qualidade, que respeite as particularidades de cada cidade. ''Ninguém troca o conforto do seu carro pelo ônibus só porque quer. Quando se mostra para a pessoa que existem vantagens como, por exemplo, não expor um patrimônio e não gastar com combustível nem com estacionamento, que o ônibus é limpo, bonito e que a leva de um ponto a outro mais rápido, ela se decide pela mudança'', avalia. Soluções planejadas evitam gastos futuros com desapropriações e indenizações, por exemplo.
''As políticas adotadas em Curitiba há 40 anos foram na ótica do transporte coletivo. Hoje, mesmo com o maior índice de motorização do país, não vemos grandes congestionamentos como em outras capitais. A cidade foi plotada em eixos de desenvolvimento, onde o transporte chegava antes das pessoas, valorizando imobiliariamente regiões esquecidas, dando qualidade de vida para os futuros moradores e promovendo o crescimento de forma harmoniosa.'' (L.A.)





