Maigue Gueths
De Curitiba
Prefeitos e representantes dos municípios da região metropolitana, que participaram, ontem, de reunião com os deputados da Comissão de Obras e Transportes da Assembléia Legislativa se disseram favoráveis ao projeto de lei do deputado Algaci Tulio (PTB), que transfere para a Urbs a gerência do transporte coletivo da região. Mas eles exigem que o projeto contemple maior participação dos municípios, preservando a autonomia e participação nas decisões a serem tomadas. Duas alternativas para esta participação foram sugeridas: a criação de um Conselho Paritário (com representantes da Comec, Urbs e dos municípios), e inclusão de assinatura, no convênio que transferiria o poder à Urbs, de todos os prefeitos dos 25 municípios da região.
Por isso, depois de duas horas de reunião, os participantes decidiram e conseguiram adiar a votação do projeto, prevista para a tarde, em regime de urgência, conforme pedia o deputado Luis Carlos Alborguetti (PMDB). ‘‘Não há porque votar no afogadilho um projeto que é tão polêmico e ainda tem muito a ser discutido’’, justificou o presidente da Comissão, deputado Edson Strapasson (PMDB).
Foi encaminhado um relatório ao líder do governo na Assembléia, Valdir Rossoni, e à plenária da Casa solicitando adiamento. Em anexo, os deputados apresentaram relatório, onde os prefeitos mostram posição favorável ao projeto, mas propõe um tempo para se discutir emendas que preservem a autonomia dos municípios e criem um Conselho Deliberativo entre outras medidas a serem propostas.
O diretor de Transportes da Urbs, Euclides Rovani foi o único participante da reunião contrário ao adiamento da votação. ‘‘Desde que foi atribuída à Urbs a responsabilidade pelo gerenciamento do transporte na região metropolitana, nós estamos solicitando à assembléia que defina as competências de cada um, dizendo quem vai fazer o que e de onde virão so recursos’’, disse, lembrando que isto deve ser definido o quanto antes.
Os prefeitos não concordavam com a votação apressada. ‘‘Nós somos a favor de ter um órgão que gerencie o transporte metropolitano, mas queremos ter vez, voz e voto’’, disse o prefeito de Pinhais, Siegfried Boving, que defende a criação de um Conselho Paritário. ‘‘Não queremos só fornecer passageiros e ficar com o ônus de construir abrigos e comprar ônibus. O projeto tem que prever a anuência dos municípios nas decisões’’, afirma o prefeito de Almirante Tamandaré, Cesar Manfron.
A Urbs é uma autarquia da Prefeitura e já exerce o gerenciamento do transporte coletivo entre alguns municípios da região. Hoje, no entanto, não há regra única no transporte metropolitano. Enquanto algumas cidades como Araucária, Almirante Tamandaré, Rio Branco, Contenda e Colombo, por exemplo, já terem transporte coletivo integrado com Curitiba, o que implica no pagamento de apenas uma passagem, outros municípios como Bocaiúva do Sul, Mandirituba e Tijucas não têm transporte integrado.
Enquanto deputados e prefeitos discutem, os usuários dos ônibus não têm nem idéia do projeto em pauta. ‘‘Não estou sabendo de nada’’, disse o pintor Idor José, enquanto embarcava no ônibus Eugênia Maria. O comerciante autônomo Eliseu do Prado, que mora em Quatro Barras, acha que se o novo sistema organizar melhor os horários dos ônibus, a idéia pode ser boa para a população. ‘‘Hoje meu ônibus só passa de hora em hora’’, reclama. O estudante Wagner Kullik também não conhece o projeto, mas acha que pode haver melhorias ‘‘Seria bom se mudassem o terminal do Guadalupe e baixassem o preço da passagem’’, diz.Prefeitos da Região Metropolitana de Curitiba conseguiram adiar a votação do projeto de gerência única do transporte
José SuassunaNA DÚVIDANo terminal do Guadalupe, que reúne os ônibus metropolitanos, população ainda não sabe se com a gerência do Ippuc o transporte melhora ou piora

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