Londrina
O Sindicato dos Bancários de Londrina foi à Justiça para acabar com o uso de funcionários do Banestado no transporte de malotes com dinheiro e cheques. A entidade entrou com uma ação de obrigação de não fazer, com pedido de antecipação de tutela, contra o banco estadual. A ação foi protocolada ontem à tarde na Junta de Conciliação e Julgamento do Ministério do Trabalho de Londrina. O objetivo da medida judicial é preservar a integridade física do bancário.
Levantamento do Sindicato mostra que só neste ano aconteceram 39 assaltos e tentativas de assaltos contra agências bancárias no Norte do Paraná. Dezesseis delas foram contra o Banestado, sendo duas diretamente contra funcionários que transportavam malotes pelas ruas.
‘‘Não estamos defendendo apenas a segurança dos bancários. Um funcionário com malote pelas ruas é uma isca para os assaltantes e coloca toda a população em risco’’, diz o diretor do Sindicato, Wanderley Crivellari. O Sindicato reuniu, como provas contra o banco, boletins de ocorrência policial e recortes de jornais sobre assaltos, em que declarações de gerentes do banco comprovam que o transporte irregular é rotineiro.
A ação do Sindicato se baseia na lei 7.102/83, regulamentada pelo decreto 89.056/83, que estipula que esse tipo de transporte seja feito exclusivamente por empresa contratada com pessoal treinado, carros-fortes e com toda segurança. No caso específico do Banestado, a lei é reforçada por uma cláusula do acordo coletivo de 1996. A cláusula 37 do acordo proíbe o transporte de valores por funcionários não contratados para essa finalidade e despreparados para o serviço.
Crivellari afirma que muitos funcionários continuam fazendo o trabalho por desconhecimento da legislação que os protege e por coação dos bancos. Crivellari acredita que os bancos ignoram a lei por desrespeito à vida do funcionário e continuam com o transporte irregular sob a alegação de redução de custos.
O Banestado é o primeiro banco processadospela prática do transporte de dinheiro por funcionários não habilitados para a função. Segundo Crivellari, outros bancos devem ser processados nas próximas semanas, assim que o Sindicato terminar a coleta de provas de problemas ocorridos envolvendo o transporte irregular de numerários. A irregularidade no caso do Banestado, segundo Crivellari, estava mais evidente e portanto mais fácil de ser comprovada.
Procurado pela Folha, o Banestado informou, por uma secretária, que só terá condições de se pronunciar a respeito do assunto após a notificação da Justiça e conhecimento do teor da ação.
Caso o pedido de antecipação de tutela seja acatado pela Junta de Conciliação e Julgamento, o Banestado terá que suspender a prática do transporte de malotes de cheques e dinheiro por funcionários não habilitados até que a ação seja julgada.

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