Transporte de mortos para São Paulo causou polêmica Paulo Pegoraro De Cascavel As gavetas da geladeira do Instituto Médico-Legal (IML) de Cascavel estiveram vazias praticamente durante toda a semana, porque apenas no início dela houve dois homicídios e não ocorreu outra morte violenta. Não há nenhum corpo sem identificação ou sem ter sido procurado por familiares. Raros são os que permanecem nesta condição. ‘‘Não vai muito além de um por mês’’, relata o legisla e patologista Alexandre Galvão Bueno. Mesmo com a pouca disponibilidade local de corpos para a finalidade científica, nos últimos tempos não tem havido maiores dificuldades para as aulas práticas do curso de medicina da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), pois há outros institutos médicos-legais na microrregião. Há algum tempo havia até excesso de corpos, tanto que muitos chegaram a ser enviados para uma universidade paulista, a Unisa, de Santo Amaro, em programa de parceria que causou grande polêmica e rendeu inquérito policial em junho de 98. O transportador era o auxiliar de necropsia Pedro Soares, que também atuava na Unioeste através de um convênio. A versão final para o caso é de que ele utilizou uma Caravan particular, porque não havia carro disponível da universidade. O auxiliar atrasou-se com o tráfego pesado das rodovias e precisou hospedar-se em hotel na cidade de São Paulo. O vigia do estacionamento do hotel, Petrônio Alves da Silva, assustou-se quando viu cinco cadáveres dentro da Caravan e em sacos plásticos transparentes. A polícia foi avisada e constatou algumas irregularidades, como identificação imprecisa de alguns corpos. Além disso, o transporte de cadáveres é obrigatório em carros funerários. A polícia suspeitou que poderia estar havendo ‘‘comércio de cadáveres’’ e as suspeitas aumentaram quando, dezoito dias depois, o vigia foi encontrado morto com um tiro de revólver. As investigações, porém, não estabeleceram ligação entre os fatos e o inquérito foi encerrado. O mesmo ocorreu com um processo administrativo instaurado pela reitoria da Unioeste.

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