Curitiba Não é de hoje que Curitiba é referência mundial de transporte público. A cidade ganhou notoriedade ainda na década de 1980 e o êxito é atribuído ao fato do município, há quase 40 anos, possuir um plano diretor que estabeleceu diretrizes e um roteiro que projetava o futuro. Apesar da boa cobertura, a rede de transportes vem apresentando desempenho regular e perdendo qualidade, segundo o engenheiro civil e professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Garrone Reck. ''Isso é algo comum nos sistemas de transportes. O uso do solo muda, a população muda. Precisamos pensar em novos serviços que recuperem tempo de viagem e diminuam o número de trocas de ônibus'', sugere ele.
Os cinco eixos estruturais Norte (Santa Cândida), Sul (Capão Raso/Pinheirinho), Leste (Capão da Imbuia), Oeste (Campo Comprido) e Sudeste (Boqueirão) foram traçados pelo urbanista francês Agachi na década de 40. ''A capital vivia naquela época um processo de planejamento e cresceu em todas as direções'', contextualiza Reck, que foi diretor da Urbs entre 1986 e 1988. Essa lógica de estrutura foi aprofundada em 1966, com o plano diretor.''Além de um planejamento prévio, Curitiba deu prioridade ao transporte público, implantando pioneiramente os corredores exclusivos para ônibus'', elogia ele.
Em 1980, foi a vez de ampliar os serviços da rede de integração, com a criação das linhas Interbairros. Ele explica ainda que no plano físico os eixos são os mesmos; o que houve foi a incorporação de novos, sem ampliação da estrutura e sem via exclusiva Santa Felicidade, Bairro Alto, Fazendinha , apenas a linha Circular Sul teve uma canaleta construída, em 1990.
''Mas estudos profundos sobre o transporte público não ocorreram para avaliar os padrões de mobilidade urbana, que são dinâmicos'', disse ele, acrescentando que, na recuperação dos padrões de eficiência, o principal fator é a velocidade do serviço. ''A integração faz a pessoa perder tempo, apesar de pagar uma única passagem. Qual a vantagem de se gastar duas horas para chegar a um destino?'', questiona. O preço da passagem, hoje, é R$ 1,80. Para ganhar agilidade, foi colocado o ligeirinho fora da canaleta, na via rápida. ''Só que aumentou o tráfego e agora lá ficou lento também.''
''Curitiba já tem uma estrutura policêntrica. Outras vias devem ser criadas atendendo os desejos da demanda. As cidades metropolitanas vão crescer e aí terá que rever o ordenamento geral da RMC'', afirma Reck, dizendo que numa distância maior, entre municípios, talvez justifique um sistema ferroviário modernizado.

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