Transporte de crianças exige cuidados
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Não é raro observarmos crianças sendo transportadas de forma irregular em motos e carros, seja sem capacete ou fora da cadeirinha. Tal atitude, entretanto, pode ter sérias consequências.
Levantamento feito pela Seguradora Líder DPVAT apontou que de 2008 a 2012 houve um crescimento de 72% na solicitação de indenizações por acidente de trânsito envolvendo crianças de até 10 anos. Quando são analisadas apenas as indenizações por invalidez permanente, o aumento, nos últimos cinco anos, é de 118%. De acordo com a seguradora, os números ainda podem aumentar, pois as vítimas têm um prazo de três anos para solicitar o benefício.
Apenas no ano passado foram solicitadas mais de 5 mil indenizações por acidentes com crianças. A maior incidência de indenizações pagas foi para casos de atropelamento 56%. Os casos envolvendo automóveis representam a maior parte das ocorrências: 53%.
Os números mais surpreendentes, entretanto, são os casos envolvendo motos, nos quais a maior parte das crianças se acidentou enquanto passageiro 54%. Nestes, 63% das crianças tinham até 7 anos e não poderiam ser transportadas neste tipo de veículo.
Em Londrina, dados da Companhia da Polícia de Trânsito (Ciatran) apontam que são raros os casos de notificação por transporte de crianças abaixo de 7 anos em motos. Em 2012 não foi registrada nenhuma ocorrência e neste ano, apenas uma.
"Isso não quer dizer que não aconteça. As pessoas podem fugir da fiscalização, mas não conseguem ludibriar os acidentes e, nestes casos, as crianças vão se ferir. No ano passado foram registrados dois acidentes com crianças entre 0 e 7 anos que eram transportadas em moto", explicou o subtenente Luís Marques Modesto, da Ciatran.
Segundo o Código Brasileiro de Trânsito, "conduzir motocicleta, motoneta e ciclomotor, transportando criança menor de 7 anos ou que não tenha condições de cuidar da sua própria segurança" é considerado infração gravíssima. "Quem for flagrado nesta situação é multado em R$ 191,54, perde sete pontos na carteira e tem suspenso seu direito de dirigir por até um ano. Caso seja reincidente a multa é dobrada e a habilitação pode ser cassada", alerta o subtenente.
Ele ressalta também que caso a criança esteja sendo transportada entre dois adultos é registrada uma outra infração, já que a capacidade da moto é de apenas duas pessoas.
A motociclista Luzia Aparecida Fabril tem dois filhos, de 5 e 7 anos, e garante que mesmo o mais velho não anda na moto. "Tenho medo de acontecer alguma coisa e, como tenho carro, prefiro usar essa opção. A criança é frágil e no caso de um acidente com a moto as consequências podem ser bem sérias", justifica.
O empresário Airton Cachonis conta que não tem mais crianças em casa e adquiriu a moto há pouco tempo, mas que no dia a dia é comum ver pessoas transportando os pequenos na moto. "Principalmente indo ou voltando das escolas. A pessoa acha que é perto e por isso não tem problema andar sem capacete, por exemplo. Acredito que é necessário todo um trabalho em cima essa questão. Acho correto também haver essa idade mínima, mas eu não levaria criança, porque elas são imprevisíveis e nunca se sabe o que pode acontecer", destaca.
Modesto ressalta que é obrigatório o uso de capacete adequado ao tamanho da cabeça da criança e que este deve estar afivelado e com a viseira abaixada.


