Transporte de corpo vira caso de polícia
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de abril de 2002
Erika Wandembruck Equipe da Folha 
Curitiba A disputa pelo transporte de um corpo por duas funerárias virou caso de polícia, na tarde de sábado. O corpo de Maria Capelli, de 70 anos, que foi velado em Curitiba por uma funerária da Capital como determina o decreto municipal 696 estava sendo levado para Piraí do Sul (a 74 quilômetros de Ponta Grossa) onde seria enterrado, pela Funerária Santa Cruz, de Araucária, na região metropolitana.
Sentindo-se lesada, a Funerária Vaticano, de Curitiba, acionou a polícia. Em São Luiz do Purunã, a 60 quilômetros da Capital, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) deteve o transporte do corpo, que só foi liberado duas horas depois e removido para o carro da Vaticano, que prosseguiu a viagem.
A confusão aconteceu por causa do decreto 696, que determina que velório e caixão sejam oferecidos por funerárias da Capital, no caso a Vaticano. A família tinha um seguro com a Santa Cruz, que pagou pelo serviço da Vaticano, que era a funerária da vez no Serviço Funerário Municipal. Como o decreto determina que o transporte pode ser feito por qualquer outra funerária, a família nos deu preferência porque cobramos R$ 0,81 por quilômetro rodado e a Vaticano R$ 1,20, disse o diretor da Santa Cruz, João Luiz Alves.
Foi um desrespeito com a família da morta. Uma arbitrariedade. Vou denunciar ao Minitério Público, afirmou Alves. No entanto, na versão de Edson Cooper, dono da Vaticano, o decreto determina que o transporte seja feito por uma funerária de Curitiba ou da cidade onde o corpo está sendo enterrado. A Santa Cruz não quis pagar pelo transporte, que estava incluso no seguro e custaria R$ 200,00, e driblou a lei.
Segundo Cooper, um inquérito policial foi aberto no 3º distrito de Curitiba para apurar o caso. A Santa Cruz está sendo acusada de estelionato e falsidade ideológica. A prefeitura também instaurou processo administrativo e a família vai processar a Santa Cruz por danos morais, garantiu. A reportagem tentou contato com a família Capelli, mas ninguém atendeu as ligações.


