Transporte de cadáver causa polêmica
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segunda-feira, 15 de junho de 1998
Paulo Pegoraro 
A direção do câmpus de Cascavel da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste) classificou ontem como inverídica a informação divulgada em São Paulo, de que cadáveres para fins didáticos e científicos fornecidos para a Universidade de Santo Amaro (Unisa) poderiam estar sendo desviados com objetivo desconhecido. O caso foi noticiado ontem pela Rede Globo, depois que a polícia paulista recebeu comunicação sobre um carro de Cascavel com cinco cadáveres, que estava estacionado na garagem de um hotel.
O manobrista do hotel teria se assustado ao ver os cadáveres, que estavam em sacos plásticos e embalsamados, e alertou a polícia. Tudo não passou de um mal-entendido, garantiu o diretor do câmpus, Paulo Sérgio Wolff. Segundo ele, é normal a troca de material de pesquisa entre universidades. No caso da Unioeste, disse o diretor, há disponibilidade de corpos porque é a única universidade com curso de medicina no Oeste do Paraná e regiões próximas.
Wolff informou que os cadáveres são de pessoas não reclamadas por familiares e que seriam sepultadas como indigentes. O diretor disse que assinou autorização para a transferência dos corpos para a Unisa no dia 10, junto com os certificados de óbitos. O transporte, esclareceu, foi feito por Pedro Soares, funcionário do Instituto Médico-Legal (IML) que trabalha no laboratório de anatomia do câmpus, através de convênio.
Soares teria apresentado a autorização dos corpos imediatamente. Por isso foi liberado sem problema pela polícia, disse o diretor. Wolff informou ainda que o funcionário teria se hospedado em um hotel apenas porque sua chegada à universidade paulista havia sido retardada devido a problemas no trânsito.
Wolff acrescentou que novos detalhes sobre o caso seriam informados em uma nota oficial da Unioeste. Mas a nota não foi divulgada e, segundo a assessoria de comunicação da universidade, o câmpus tem autonomia, por isso cabe exclusivamente à sua direção explicar o caso.
A transferência dos cadáveres foi feita em uma Caravan placa AGQ 5562. O diretor disse não saber a quem pertence o carro e nem quem pagaria o transporte. A Folha apurou que a Caravan pertence a José Carlos Cintra, que também atua no laboratório de anatomia. Pedro Soares não havia retornado a Cascavel até o final da tarde de ontem. A Folha também procurou por telefone a direção da Unisa, uma instituição particular de ensino, que disse que se posicionaria posteriormente, o que não ocorreu. Mas a universidade não apresentou qualquer explicação até o final da tarde.


