Transporte coletivo de Curitiba apontado como melhor do Brasil
Arquivo FolhaOs ônibus Expresso são destaque no modelo curitibano de transporte, tomado como exemplo nacionalA Associação Nacional de Transporte Públicos (ANTP) apontou Curitiba como a cidade brasileira mais bem organizada para garantir a qualidade do transporte coletivo na virada do século. Neste setor a cidade é a melhor, é modelar e deve isto ao estratégico projeto que começou a implementar no início da década de 70, disse Aílton Brasiliense, diretor executivo da ANTP, que reúne as empresas gerenciadoras do transporte coletivo em todo o Brasil, além de operadoras e fabricantes do setor.
O diretor executivo destacou a malha de vias exclusivas como um importante diferencial da cidade na área do transporte e adiantou que o modelo começa a ser buscado por outros municípios, que pretendem elevar a qualidade de atendimento ao usuário e garantir demanda para o transporte. A presença da faixa exclusiva para os ônibus é vital no caminho que as grandes cidades estão tomando, disse.
De acordo com dados da ANTP, as cidades de São Paulo, Campinas, Londrina, Juiz de Fora, Belém e Fortaleza estão tentando viabilizar projetos de implantação de canaletas. Curitiba viu adiante e fez as intervenções no momento certo, disse o diretor.
Segundo ele, poucas cidades do País tentaram caminhos parecidos. Muitas outras passaram os últimos anos acomodadas. Adiaram soluções e vivem, no momento, uma situação de perda inevitável. Agora, todos estão procurando alternativas para este setor. Mas as opções encontradas tendem a exigir intervenções urbanas de grandes proporções, de custo elevado, com enorme ônus para os municípios, disse.
A primeira canaleta de Curitiba foi implementada em 1974, com extensão de 19 quilômetros, entre as regiões Norte e Sul da cidade. Junto com o corredor de transporte, a cidade criou o sistema Expresso, composto por ônibus que circulam somente pelas vias exclusivas. Naquele momento, demos a largada para uma série de inovações na área do transporte, afirmou o prefeito Cassio Taniguchi.
Numa retrospectiva, ele destacou que, de lá para cá, foram feitos investimentos constantes com o objetivo principal de aprimorar o sistema.
Curitiba é hoje uma das capitais brasileiras que proporciona maior economia de tempo para o usuário. Apesar de os ônibus, nos últimos dois anos, terem perdido velocidade, em função do inchaço da frota de carros e consequente complicação das condições de tráfego, conforme avaliação da Urbs, o transporte coletivo, graças principalmente ao sistema expresso, mantém uma performance eficiente.
Em um mês, por exemplo, o trabalhador chega a economizar 40 horas em relação a seus colegas que vivem em cidades de porte semelhante como Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife.
Hoje, os biarticulados trafegam com velocidade média de 22 quilômetros/hora e cumprem o itinerário de 20 quilômetros do eixo Norte-Sul em aproximadamente 50 minutos. Em ruas de características semelhantes, os ônibus do Rio de Janeiro ou de São Paulo, que têm capacidade menor que os de Curitiba, conseguem desenvolver somente um terço desta velocidade, levando mais que o dobro do tempo para cumprir o mesmo trajeto.
Em Belo Horizonte, Porto Alegre e Recife, a velocidade média é um pouco melhor - 12 quilômetros/hora - mas, mesmo assim, tomando por base o deslocamento ao longo de 20 quilômetros, o usuário do transporte coletivo perde diariamente três horas e vinte minutos entre a ida e a volta do trabalho.





