TRANSPORTE COLETIVO - Usuários cobram melhorias no sistema
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sexta-feira, 08 de abril de 2016
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
A superlotação dos ônibus e a falta de ar-condicionado estão entre as reivindicações mais citadas pelos usuários do transporte coletivo de Londrina ouvidos pela Folha. Apesar do decreto n° 1.052 ter sido assinado em agosto do ano passado, determinando que as concessionárias adquiram novos veículos com ar-condicionado e dispositivo regulador de temperatura, até agora o benefício não chegou na prática aos usuários. Isso porque a frota havia sido renovada recentemente.
O mesmo usuário que elogiou a implantação do wi-fi (que começou ontem em 280 veículos), reclamou do calor dentro do ônibus. O atendente de farmácia Rafael Barbosa Cardoso diz que o sistema deveria ser implantado o quanto antes. "Eu já estou sabendo que há um decreto para implantar o ar-condicionado quando a frota for renovada. Acho a ideia excelente, mas o calor está demais", reclama.
Já a estudante de Jornalismo Raíssa Alves dos Santos tem outras reclamações. "O ideal é que se tenha um acesso melhor para cadeirantes e assentos mais espaçosos", afirma. Porém, o que ela critica é a manutenção do ônibus. "Eu moro no Vista Bela (zona norte) e os ônibus que pego estão com as cadeiras bem destruídas", critica.
Uma das maiores queixas, no entanto, é a superlotação no ônibus. "Deveriam disponibilizar mais carros para trabalhar, pois a cidade está em expansão. É preciso gerar uma solução mais rápida, com mais horários disponíveis. O ônibus também deveria ser mais espaçoso, com mais qualidade no conforto", sugere Wanderson Felipe dos Santos.
Gildalmo de Mendonça, administrador executivo da empresa Grande Londrina, uma das concessionárias que operam o serviço, ressalta que não dá para colocar mais ônibus em horário de pico. Segundo ele, os veículos teriam de ficar ociosos a maior parte do tempo e isso implicaria em aumento de custos. "Temos dois horários de pico ao longo do dia, um pela manhã, que dura uma hora e meia, e outro no final da tarde, que também dura uma hora e meia. Ou seja, esses veículos ficariam muitas horas ociosas", apontou.
Questionado se não poderia fazer o remanejamento dos veículos para as linhas mais movimentadas, Mendonça destacou que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) já tem realizado esse trabalho e que as medidas necessárias para melhorar a situação não dependem só da empresa. "Deveria haver uma mudança nos horários do comércio e das escolas, porque hoje tudo é centralizado no mesmo horário", sugere.
O gerente de Transportes da CMTU, Wilson de Jesus, relata que sempre que houver superlotação, a população pode encaminhar a reclamação para a Companhia. "Caso o fiscal da CMTU ou alguém da imprensa constatar isso, é dever da CMTU intervir para fazer alteração. Quando a capacidade do veículo não transporta a quantidade de pessoas temos que achar uma solução para o cliente final."
No entanto, o presidente da CMTU, José Carlos Bruno, afirmou que não tem planejamento de aumento da frota agora. "Quando for implantado o Superbus haverá o remanejamento da frota e a gente vai vai fazer ajustes tirando algumas linhas, acrescentando outras e não necessariamente adquirindo uma nova frota", afirma. "Quando se roda com poucos passageiros, isso tem impacto na tarifa e há um esforço gigantesco para colocar o maior número de ônibus no horário de pico, mas essa é uma reclamação mundial e acontece em todas as capitais do mundo. Evidente que estamos tentando ajustar da melhor maneira possível", garante.
Os ônibus de transporte coletivo atendem todo o perímetro urbano e os distritos com cerca de 80 mil usuários, diariamente. A tarifa é de R$ 3,60. Bruno elenca as melhorias realizadas no sistema. "Lançamos a linha Centro Livre, gratuita no quadrilátero central; a InterClínicas, numa rota que percorre postos de saúde, UPAs, UBSs, clínicas e hospitais; a linha 902, que interliga as zonas Leste e Norte, reduzindo o tempo das viagens para 15 minutos; a Tarifa Verde, com valor diferenciado e mais barato nos horários das 8h30 às 11h30 e das 14h30 às 16 horas; o Passe Livre do Estudante, gratuito para mais de 11 mil alunos; cerca de 365 pontos substituídos, com cobertura e bancos, dentre outras melhorias."


