TRANSPORTE COLETIVO - Depois do aumento, população enfrenta fila
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sábado, 08 de janeiro de 2005
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Nem bem foi digerido o aumento de quase 19% na tarifa de ônibus - que no domingo vai passar de R$ 1,60 para R$ 1,90 e de R$ 2,00 para R$ 2,35 na linha Psiu - a população de Londrina teve ''engolir'' horas de espera nos pontos de venda das passagens, ontem. Para adquirir os passes a preços atuais, centenas de londrineses correram à Loja de Passes e ao Terminal Central, cuja fila chegou à avenida Leste/Oeste.
Na Loja de Passes, mais de 600 pessoas haviam sido atendidas até uma hora antes do fechamento, às 17 horas. Apesar do tumulto e da consequente demora do atendimento, o gerente da administrativo da Transporte Coletivo Grande Londrina (TCGL, empresa que administra o local), José Carlos de Lima afirma que houve um acréscimo de apenas 30% em relação aos dias normais.
Nas filas, muita reclamação pela demora, por causa do calor e, é claro, por cuaso do aumento. A babá Vânia Barbosa, 38 anos, pediu para sair mais cedo do trabalho para garantir a compra dos passes do mês economizando R$ 15. Ela chegou na loja às 15h15. Uma hora depois, quando Vânia conversava com a reportagem da Folha, ainda havia 100 pessoas na sua frente. ''Se tivesse conhecimento antes, teria vindo antes, mas só soube ontem (anteontem) às 17h30, aí a loja já estava fechada'', reclama.
Outro que perdeu o trabalho foi o auxiliar de serviços gerais Wellington Jesus Marcondes, 19 anos. Ele chegou na loja às 14h20 e às 16h30 ainda não havia sido atendido. ''Isso é um abuso com o trabalhador e com todo mundo'', protestava o rapaz, temendo que o patrão descontasse as horas não trabalhadas e perdidas na fila.
Depois de mais de uma hora na fila, a estudante Elis Michele, 23 anos, também reclamava. ''Esse aumento foi abusivo e aconteceu em um momento estratégico, com os estudantes em férias e sem possibilidade de se mobilizar'', afirmou, referindo-se ao movimento pula-catraca organizado por estudantes no último aumento da tarifa, em julho 2003.
No Terminal Central, os mesmos problemas. Com a diferença que a população era obrigada e esperar de pé e no sol. Apenas dois guichês, um para atender a fila na parte externa outra para a fila interna, atendiam as pessoas.
A zeladora Maria Odete Gonçalves, 47 anos, perdeu a conta de quanto tempo esperou, mas garantiu que foi mais de uma hora. Tudo isso para comprar 25 passes para os filhos fazerem o vestibular. ''Uma economia que a gente faça já vale a pena'', argumenta.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) Gabriel Ribeiro de Campos informou que a empresa solicitou o reforço de funcionários no atendimento dos postos de venda. Ele também insistiu que o aumento de usuários nos locais foi de apenas 30%. ''Nossos fiscais foram em três horários diferentes nos pontos e não verificaram nenhuma fila exagerada'', afirmou.
Depois de ser informado de que várias pessoas passaram mais de duas horas na fila, ele afirmou que a CMTU solicitaria, ainda ontem, novo reforço. ''Duas horas é inadimissível, vamos solicitar reforço novamente para garantir que ninguém fique sem conseguir comprar os passes'', finaliza.
Até o final da tarde de ontem, tanto a CMTU como a Loja de Passes não tinham ainda um levantamento do volume de passagens vendidas. Hoje, o atendimento será das 8 às 17 horas, tanto na Loja de Passes como nos guichês do Terminal Central.


