TRANSPORTE AÉREO Crise reduz oferta de rotas domésticas
São Paulo Enfraquecidas financeiramente e em busca de reduções de custos, as companhias aéreas brasileiras têm aberto mão de várias rotas domésticas nem sempre por vontade própria , o que abriu espaço para a entrada de novas empresas de aviação regional, com o objetivo de explorar nichos em operações de escala bem menor, mas nem por isso desprezível. A Ocean Air, que começou a voar em março deste ano e já tem quatro turboélices Brasília, fabricados pela Embraer, já atende 16 cidades, a maioria no interior do País.
Tanto os aviões quanto parte das rotas operadas foram 'herdadas' da Rio Sul, que durante a reestruturação do Grupo Varig decidiu vender os aparelhos para o empresário German Efromovich, dono da Marítima. A afinidade com o setor de petróleo fez com que a Ocean Air surgisse para atender à demanda de passageiros entre a região de Campos, onde estão as bacias petrolíferas do norte fluminense, e a capital do Estado.
Há poucas semanas, a pequena companhia anunciava uma parceria com a gigantesca Continental Airlines, que passou a vender passagens diretas de Macaé para Houston, nos EUA, na chamada Rota do Petróleo.
''Não estamos sobrepondo horários onde há outra companhia operando e nem queremos ser uma empresa de baixo preço. Nosso objetivo é nos tornarmos feeders (alimentadores) dos vôos das empresas maiores'', explica o vice-presidente da Ocean Air, Jorge Alberto Viana, revelando que, se tudo der certo, a empresa contará com outros cinco aviões de 50 lugares no ano que vem.
Além das rotas da Rio Sul em Santa Catarina, a empresa se prepara para abocanhar alguns dos municípios que a TAM deixou de operar no interior de São Paulo. Outras rotas em que a companhia opera sozinha vão para os municípios mineiros de Governador Valadares e Ipatinga, mas por lá a concorrência deverá chegar logo, com a entrada da Air Minas, um projeto que já consumiu R$ 20 milhões do vice-governador eleito daquele Estado, Clésio Andrade, e deverá decolar antes do fim do ano.
Só neste segundo semestre, o Grupo Varig já deixou de voar para pelo menos cinco cidades, depois de devolver 18 aviões e demitir mais de 700 funcionários. A TAM abandonou outros nove destinos, numa reestruturação que cortou em 12% a oferta de assentos e em 500 os postos de trabalho.
O que não quer dizer que esteja sobrando mercado. Outras empresas de caráter regional, como a Passaredo e a Nacional Transportes aéreos, deixaram de voar este ano, sem condições de manter o equilíbrio nos minguados mercados do interior.





