TRANSPORTE - Valor da tarifa de ônibus em Londrina dobra em 6 anos
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domingo, 08 de janeiro de 2006
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Andar de ônibus em Londrina está mais caro desde hoje. E muito mais caro. É lógico que o aumento que passou a vigorar a zero hora não é o único responsável pela redução do poder de compra do trabalhador, já que as reposições salariais não acompanharam o crescimento no valor da tarifa. O problema é que a passagem dobrou de preço desde 2000.
De acordo com levantamento da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a passagem custava R$ 1,00 no ano anterior ao prefeito Nedson Micheleti (PT) assumir a chefia do Executivo local. A evolução no valor fez com que a tarifa dobrasse de preço nos últimos seis anos (ver quadro). O valor subiu praticamente todo ano desde 2000. A única exceção foi 2004, ano da reeleição do prefeito.
Para o presidente da CMTU, Gabriel Ribeiro de Campos, a dificuldade para reduzir o preço é resultado de uma lógica perversa: ''O transporte público é caro porque tem pouco passageiro ou tem pouco passageiro porque é caro? Cada vez que eu retiro o passageiro de dentro do ônibus eu aumento a tarifa. E cada vez que eu aumento a tarifa, retiro o passageiro de dentro do ônibus'', ressalta.
Para combater este círculo vicioso, associações de prefeitos, de empresas e de secretários municipais de transportes estão discutindo alternativas para reduzir os custos. A principal proposta para barateamento, definida na Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU), é a isenção de impostos federais e estaduais. O documento foi encaminhado pelo Fórum de Prefeitos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Os encargos respondem por 25% do valor da tarifa. Com o intuito de reduzir o preço, a administração municipal autorizou a redução da taxa de gerenciamento do sistema (4%) e do Imposto sobre Serviços (ISS) para 2%. Estes são, de acordo com Campos, os índices mínimos permitidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal. Ele cobra, no entanto, ações dos governos estadual e federal, que poderiam, por exemplo, deixar de cobrar o Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS) do óleo diesel utilizado pelas empresas de ônibus urbano.
A meta do Fórum é que haja um pacto federativo para reduzir os encargos e, consequentemente, o preço da passagem.
''A saída do transporte coletivo em busca do transporte individual é uma tendência nacional. É uma questão de status e de conforto que o transporte individual oferece'', adverte.
Campos ressaltou que o aumento autorizado quinta-feira é de 5,26%, valor inferior ao Índice de Preços ao Consumidor Amplo (5,88%) e da evolução do preço do óleo diesel (14,13%) e dos salários de motoristas e cobradores (9%).
Uma enquete feita pela Folha de Londrina no dia do anúncio do aumento demonstrou que os usuários do sistema são unânimes ao criticar o reajuste. O presidente da companhia de trânsito, porém, considera que o transporte público da cidade tem mais virtudes do que defeitos.
As principais qualidades, afirma ele, são a qualidade da frota, a integração dos distritos rurais ao sistema e a integração temporal fora dos terminais, proporcionada pela bilhetagem eletrônica. Por outro lado, um dos maiores problemas é o tamanho da frota de veículos da cidade, que complica o trânsito em especial na Área Central.
''Acho que um dos nossos problemas principais é que Londrina tem um poder aquisitivo importante. A frota da cidade é grande. O serviço de mototáxi é regulamentado. A oferta de transporte individual e veículo próprio é grande'', aponta. A estimativa é que Londrina tenha quase 200 mil veículos para 500 mil habitantes.
A consequência, continua, é uma fuga do transporte público. E o próprio Gabriel de Campos não foge à regra. Ele admite que não usa o sistema para ir ao trabalho. ''Raramente uso ônibus. Moro perto da CMTU e venho a pé todos os dias'', justifica.


