Emerson Cervi
De Curitiba
Representantes de empresas transportadoras do Paraná se reúnem segunda-feira para discutir o índice de reajuste de pedágio nas rodovias do Paraná. O Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Paraná (Setcepar) marcou para 17 horas uma assembléia extraordinária. Os donos de transportadoras devem oficializar como teto aceitável de reajuste o índice de 30%. Se o aumento passar desse índice eles ameaçam paralisar todo o transporte de cargas durante o período de safra agrícola.
Segundo o presidente do Setcepar, Rui Cichella, ‘‘a categoria vai discutir que índices são aceitáveis para definir uma posição oficial, mas posso adiantar que os números divulgados até agora são muito altos’’, diz. Na opinião de Cichella, qualquer reajuste acima de 30% inviabilizaria o transporte de cargas no Estado. ‘‘Essa é a minha posição, os transportadores só terão um posicionamento oficial depois da assembléia de segunda-feira.’’
Os índices que o governo vêm discutindo com as concessionárias estão muito acima das expectativas dos transportadores, variando de 70% a 85% para os caminhões. ‘‘Na reunião que tivemos durante a semana com o governador não apresentamos nenhum número, apenas mostramos a ele que qualquer aumento significativo vai paralisar o setor’’, conta.
O Setcepar tem 450 associados distribuídos em 273 municípios paranaenses. Essas empresas são responsáveis pelo transporte de mais da metade do volume de cargas no Estado. O reajuste de 30% é embasado em estudos técnicos da categoria. Cichella lembra que pelos preços atuais, um caminhão paga R$ 0,03 por quilômetro rodado em estradas pedagiadas. Com 30% de aumento, o valor por quilômetro passaria a R$ 0,039. ‘‘Esse preço é praticamente o mesmo cobrado na Rodovia dos Bandeirantes, em São Paulo, que fica em R$ 0,04 por quilômetro’’, completa. A Rodovia dos Bandeirantes foi considerada, em 1999, a de melhores condições de tráfego entre as administradas pela iniciativa privada.
Para o presidente do sindicato, os caminhoneiros precisam pagar uma tarifa diferenciada dos veículos de passeio. É que os caminhões não trafegam em todo o anel. ‘‘De Curitiba a Paranaguá o trecho concessionado é de 175 quilômetros porque inclui as estradas que vão para municípios do litoral, mas os transportadores só usam 78 quilômetros desse trecho.’’