A criação de uma delegacia específica contra roubos de cargas e caminhões e de um sistema de informações integrando as diversas polícias são algumas das reivindicações apresentadas pelas entidades da área de transporte de cargas na ‘‘Carta do Paranᒒ. O documento, divulgado ontem, reúne as conclusões do 1º Encontro Paranaense contra Roubos no Setor de Transporte, durante o qual o Paraná foi apontado como um dos estados onde o problema mais cresce.
Até o ano passado, os três Estados do Sul respondiam, juntos, por apenas 1% do total de roubos de cargas no Brasil. Um levantamento feito este ano por uma companhia de seguros revela que o Paraná já é responsável, sozinho, por 1,5% deste total.
‘‘Esse tipo de roubo deixou de ser ocasional e está ganhando feições de crime organizado, com rápida migração do eixo Rio-São Paulo para o Sul do país’’, disse o superintendente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná, Sérgio Malucelli. Segundo ele, o prejuízo com roubo de cargas no Brasil foi de R$ 250 millhões no ano passado. Este ano, até agora, o prejuízo já seria de R$ 224 milhões e a previsão é que alcance R$ 320 milhões até o final do ano. As cargas mais visadas são medicamentos, pneus, eletrônicos e tecidos.
Um mapeamento feito pelo sindicato mostra que os trechos mais perigosos das rodovias paranaenses estão localizados no Norte do Estado, na região de Londrina e Maringá, e na BR-116 na divisa com São Paulo, próxima à Serra do Azeite.
Durante o encontro, diretores do Setcepar acusaram a polícia de negligência no tratamento desse tipo de crime. Por isso a carta de encerramento pede a criação de uma delegacia forte na área, com telefone de emergência. A central de informações sugerida deveria concentrar dados das polícias rodoviária estadual e federal, Polícia Civil e Militar.
Os empresários da área também pedem que se intensifique a ação contra desmanches de caminhão e receptadores de cargas roubadas. Reivindicam ainda que sejam destinadas áreas para estacionamento de caminhões junto aos grandes centros que compõem o Anel de Integração, com infra-estrutura de higiene e segurança para os motoristas.
Outra sugestão é a criação de um comitê permanente de segurança nas estradas, com participação das entidades do setor. As empresas e entidades que participaram do encontro firmaram ainda um termo de compromisso sobre a apresentação, aos clientes, do peso do pedágio - que passará a ser cobrado em breve nas estradas paranaenses - na composição do custo do frete.

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