Emerson Cervi
De Curitiba
Os transportadores podem começar uma ‘‘greve branca’’ caso as empresas seguradoras de carga não modifiquem os limites máximos de coberturas. Eles ameaçam deixar de carregar se o sistema de seguro facultativo de desvio de cargas (RCF-DC) não for revisto. ‘‘Está ficando proibitivo transportar cargas neste País’’, diz o presidente da Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná, Valmor Weiss. ‘‘Instruimos nossos associados a não aceitarem as condições impostas pelas seguradoras na contratação do seguro por roubo de cargas.’’
Ano passado foram roubados R$ 350 milhões em cargas no Brasil. No Paraná, os prejuízos ficaram em R$ 469,8 mil por mês, em média. O aumento no número de desvios é a principal justificativa das seguradoras para as novas exigências e a limitação das coberturas.
Apenas transportadoras que têm sistema de gerenciamento de risco, com rastreamento via satélite e escoltas, conseguem fazer os seguros. Desde o mês de setembro, as empresas limitaram as coberturas entre R$ 20 mil e R$ 120 mil por carga. ‘‘Hoje os custos de gerenciamento de riscos representam 12% do valor do frete e com a limitação são os transportadores que se responsabilizam pelo pagamento dos prejuízos’’ (ver tabela ao lado).
As federações de transportadores defendem mudanças na legislação atual. Eles querem o fim da responsabilidade do transportador quanto ao seguro de roubo de cargas. ‘‘Não é dever nosso, estamos cansados de ser burros de carga’’, afirma Weiss.
Segundo o presidente da Fetranspar, quando tinham 30 empresas fazendo essa modalidade de seguros no Paraná não existiam tantas exigências. ‘‘Hoje são apenas cinco e esse oligopólio não quer correr riscos, por isso estão abusando.’’ A Fetranspar também denuncia o fato das seguradoras não aceitarem mais cobrir cargas roubadas dos depósitos das transportadoras.

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