Transportadora quer subsídio
Giovani Ferreira
De Curitiba
As empresas de transporte de cargas querem que o governo do Estado subsidie parte da tarifa de pedágio cobrada nas rodovias do Anel de Integração. A proposta será apresentada hoje em uma reunião entre representantes Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Fetranspar) e o secretário de Estado dos Transportes, Heinz Herwig. Essa forma de subsídio é adotada atualmente no Estado de São Paulo, onde o governo gasta R$ 1,2 milhão por mês com a concessão de até 20% da tarifa de pedágio dos caminhões.
Rui Cichella, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Paraná (Setecpar), entende que essa seria uma alternativa viável para se tentar amenizar a crise no setor. De acordo com Rui, as transportadoras não terão condições de suportar o ônus do reajuste de 80% na tarifa, conforme vem sendo cogitado pelo governo. Segundo ele, na reunião de hoje a categoria vai colocar ao poder público até onde, em termos de percentuais, a classe poderá suportar o reajuste.
Washington Lemos Filho, presidente da regional paranaense da Associação Brasileira das Concessionárias de Rodovias (ABCR), disse que o contrato de concessão permite que o governo possa subsidiar a tarifa se entender que seja necessário. Essa seria, inclusive, uma alternativa para que no ano passado o governo não tivesse reduzido a tarifa em 50%, disse Washington.
Ademar Barbosa, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Ponta Grossa (Sindiponta), acredita que um reajuste de 50% seria justo. Esse percentual, com o compromisso das concessionárias realizarem as obras previstas no contrato, seria um índice que as tranportadoras poderiam suportar, avalia Barbosa.
A partir de amanhã o Sindiponta, maior sindicato da categoria no Paraná, começa a distribuir milhares de panfletos condenando a proposta de reajuste do governo. Em tom de ameaça, o texto do material diz que o setor é um barril de pólvora, prestes a estourar. No primeiro dia de tarifa reajustada as transportadoras vão parar, disse Barbosa, para mostrar que o Estado não vive sem transporte.
As transportadoras deixam claro que são a favor das obras, principalmente das duplicações, mas alegam que não podem pagar por isso neste momento, com um reajuste de 80%. Conforme números dos sindicatos, este ano as empresas acumulam uma inflação no setor de aproximadamente 38%.





