Transportadora é impedida de atuar
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 04 de outubro de 2000
Lúcio Flávio Moura De Londrina 
O trânsito de caminhões e carretas no Jardim Vale do Reno, em Londrina, está provocando polêmica entre órgãos de controle da prefeitura, um empresário do setor e a associação local de moradores.
Localizada nas proximidades da Avenida Celso Garcia Cid, em uma área limítrofe entre zona residencial e comercial (no local existe uma grande concentração de empresas do setor), a Transportadora Proteus, franqueada da Roger Cargo, está legalmente impedida de usar as ruas do bairro como via de acesso de seus caminhões ao barracão da empresa.
A Associação dos Moradores dos Jardins Alcântara, Vale do Reno e Proximidades reclamou formalmente ao Departamento de Trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (IPPUL) sobre o tráfego de caminhões em alta velocidade em horários impróprios, além do barulho provocado pelas manobras para carga e descarga.
A reclamação foi encaminhada à gerência de Concessão de Atividades Econômicas da Secretaria Municipal de Planejamento. O órgão considerou a reclamação procedente. O tráfego de caminhões de transportadora em área residencial fere, segundo o órgão, o Código de Posturas do Município e a Lei Municipal 7.485, de 20 de julho de 1998, que dispõe sobre o uso e a ocupação do solo na zona urbana e de expansão urbana.
A proibição inviabiliza operacionalmente a transportadora, cujo barracão fica em frente a marginal da Avenida Celso Garcia Cid, na esquina com a Rua Natalino Fruet, que só tem saída para o interior do bairro. Todos os barracões vizinhos têm ligação com a marginal.
A determinação foi feita na terça-feira através de uma notificação da Secretaria Municipal de Fazenda e Planejamento. A notificação que determinava a suspensão imediata da operação da empresa surpreendeu Pedro Resende Filho, proprietário da transportadora.
Com a carga impedida de circular pelo bairro, Resende Filho contabilizou prejuízos e promete entrar com uma ação indenizatória contra a prefeitura, por constrangimento e danos materiais.
Pago todos meus impostos em dia, tenho alvará de licença, gero três postos de trabalho e emprego esposa e filhos na empresa. Não posso ser impedido de trabalhar de uma hora para outra por um problema que não fui eu quem criou, diz Resende Filho, que após uma negociação informal com a secretária ganhou mais 60 dias para readequar o acesso ao barracão.
Resende Filho diz que não tem condições financeiras para construir um acesso do barracão à marginal, separado por um barranco. Segundo ele, seriam necessários 30 caminhões de terra e outros 20 de pedra para resolver o problema. O empresário afirmou à Folha que se tiver que fazer a obra, irá somar seus gastos e incluí-los na ação indenizatória contra a prefeitura. Outra saída para o impasse seria a liberação de verba para a ligação da Rua Natalino Fruet à marginal da Celso Garcia Cid. Resende Filho deve solicitar à Secretaria Municipal de Obras que analise o caso com urgência e inicie o mais rápido possível esta obra.


