Giovani Ferreira
De Curitiba
Conforme números da Secretaria de Estado da Saúde, no ano passado os transplantes financiados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) movimentaram mais de R$ 7 milhões no Paraná. Ao contrário da realidade constatada na maioria dos assuntos envolvendo o SUS, a realização dos transplantes de órgãos recebe tratamento diferenciado, com a disponibilização de recursos específicos pelo Ministério da Saúde. Se por um lado faltam doadores, por outro existe a garantia da assistência médica necessária, com a liberação de verbas de acordo com a demanda.
Ivana Kaminski, coordenadora da Central Estadual de Transplantes do Paraná (CET), explicou que atualmente os recursos disponibilizados pelo Ministério da Saúde são suficientes para atender as necessidades do Estado. Em praticamente 3,5 anos de funcionamento, o CET já computou a realização de 2.133 transplantes, que dividem-se em substituição de córneas, coração, fígado e rim.
A central começou a funcionar em dezembro de 1995. Levando em conta o tempo de atuação, o CET vem intermediando uma média de 50 transplantes por mês. A maioria deles, num total de 1.505 são de pacientes que recebem córneas. Na sequência vem os transplantados de rim, que somam 509, fígado, com 91 procedimentos, e coração, com 28 pacientes.
Kaminski explicou que a CET não trabalha com os transplantes de medula óssea. Além de ser um procedimento bastante complexo, devido a questões de compatibilidade, essas operações são coordenadas por organismos internacionais, que fazem buscas de doadores em todo o mundo. Nesses casos, o SUS tem pago o transplante, mas tem se recusado a pagar o processo de busca internacional pelos doadores.
Para realizar os transplantes que são intermediados pela CET, o hospital precisa ser credenciado pelo SUS para realizar esse tipo de atendimento. De acordo com Ivana, muitas vezes pode ocorrer de existir o doador, o recurso estar garantido, mas faltar estrutura para a realização dos transplantes, como médicos especializados e equipamentos específicos. Segundo Ivana, essa não é a situação do Paraná, onde a estrutura ainda é suficiente para atender a demanda.
Apesar de serem custeados com recursos do Ministério da Saúde, os procedimentos de transplantes são pagos à parte. O dinheiro que os estados e municípios recebem pelos transplantes, não está incluído na verba repassada pelo SUS para o pagamento aos procedimentos médicos e hospitalares de rotina. O hospital fatura o transplante ao SUS, mas o pagamento é feito com base em uma tabela exclusiva para esse tipo de atendimento.
Hoje o SUS paga todo o processo que envolve o transplante. Antes o Ministério da Saúde garantia somente os custos com o receptor, mas a partir de uma portaria assinada no ano passado, o SUS começou a pagar também os procedimentos para a captação dos órgãos.
Atualmente o cadastro da Central de Transplantes possui 5.449 nomes. Desse total, 2.078 pessoas ainda estão na espera por um doador, 2.133 já foram submetidas ao transplante e 1.238 sairam da fila porque morreram ou por algum outro motivo não relacionado pela CET.Recursos foram usados em cirurgias realizadas no Paraná e custeadas pelo SUS.
Verba disponibilizada pelo ministério atende demanda
Josué de CarvalhoEstruturaAlém da existência do doador, transplante precisa de médicos especializados e equipamentos específicos

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