Transplantes de rins estão diminuindo
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quinta-feira, 03 de novembro de 2005
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Até cinco anos atrás, um paciente da região de Londrina que precisasse fazer transplante de córnea enfrentava uma espera que podia chegar a 15 anos. Hoje, a mesma cirurgia é realizada dentro de um período médio de oito meses. A boa notícia diminuiu a agonia das 92 pessoas que precisam de ''novos olhos'' para enxergar, mas não afetou, por exemplo, quem depende de uma doação de rim para continuar vivendo. São 425 pessoas na fila de espera, com perspectivas pouco animadoras: de 2001 para 2004 o número de transplantes deste órgão caiu de 30 para 24.
No caso das córneas, a sensibilização da população tem feito a diferença a média é de 120 transplantes por ano em Londrina e região. Mas de maneira geral, em se tratando de doação de órgãos, há problemas que ainda não foram superados. Entre eles estão a dificuldade dos profissionais de saúde em fazer a abordagem dos familiares; a grande rotatividade destes profissionais nos hospitais; a diminuição no número de mortes encefálicas e o aumento dos casos de descartes clínicos (causados por doenças que impedem a doação, como a hepatite, e infecções cada vez mais difíceis de serem controladas).
A responsável técnica da Central Regional de Notificação e Captação de Órgãos de Londrina, Ogle Beatriz Bacchi de Souza, lembra que algumas destas dificuldades decorrem do fato do transplante ser algo novo dentro dos hospitais. Ela informa que no ano passado 87% dos óbitos registrados na central foram considerados inviáveis para transplante, ou por causa da idade (menos de dois anos ou acima de 66 anos) ou por problemas clínicos. ''Dos 13% restantes, em apenas 3% a doação ocorreu. Temos potencial para aumentar estes números, mas isto depende da conscientização e do desejo de todos os atores envolvidos'', afirma Ogle.
Para tentar melhorar este quadro, a Central tem proposto a educação permanente dos profissionais da saúde; discussões com os médicos sobre morte encefálica e promoção de oficinas de sensibilização junto à comunidade, em parceria com o Ministério da Saúde, que hoje mantém o maior sistema público de transplantes do mundo.
Segundo Ogle, as pessoas que tiverem a intenção de doar os seus órgãos devem informar a família, que é quem vai tomar a decisão de autorizar ou não que os mesmos sejam transplantados. Pela legislação atual, todos são doadores, desde que a família autorize a retirada dos órgãos. A responsável pela Central lembra também que quem quiser acompanhar a evolução na fila de transplante pode comunicar-se com o Sistema Nacional de Transplantes pelo e-mail [email protected] ou pelo 0800-611997. Outros telefones são da Central Estadual de Transplante (41) 3232-5740 e da Central Regional (43) 3379-6033.


