Transplante é último recurso da Medicina
PUBLICAÇÃO
domingo, 24 de novembro de 1996
Da Redação 
O transplante de medula óssea é o último recurso que o médico indica para casos de leucemia. A cirurgia só cabe quando o tratamento de quimioterapia não não controlou o avanço da doença e o paciente já sofreu pelo menos uma recaída. O oncologista Roberto Coelho explica que, apesar de o transplante de medula ser visto como a salvação, ele implica em uma série de riscos e não elimina a possibilidade de que a pessoa continue com leucemia mesmo após a cirurgia.
O doador é submetido a uma série de exames para comprovar a sua afinidade com o paciente e o próprio doente passa por um tratamento para reduzir as chances de rejeição ao órgão transplantado. Na verdade, quando a pessoa precisa do transplante ela entra em uma corrida contra o tempo. Não há como prever quanto tempo os medicamentos vão conseguir manter a doença sob controle, afirma o médico.
Ao contrário do que muitos pensam, há pelo menos três hospitais públicos no País que fazem transplantes de medula óssea: o Hospital das Clínicas de Curitiba, o Instituto Nacional Carlos Chagas (RJ) e o Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo. Além desses, outros hospitais particulares também realizam a cirurgia. Os melhores, segundo o médico Roberto Coelho, são o Sírio Libanês e o Albert Einstein, ambos em São Paulo.
Coelho critica o Ministério da Saúde pelas filas de espera pelo transplante e afirma que a política adotada pelo poder público é a resumida em uma frase: Dane-se todo mundo.
O HC de Curitiba é um exemplo de perseverança e esforço contínuo. Não há investimento do poder público para manter o atendimento e a cirurgia só continua sendo feita porque instituições particulares e fundações de apoio garantem o respaldo necessário. Quanto aos preços cobrados pela cirurgia particular, o médico comentou apenas que são iguais ou superiores aos praticados em países de primeiro mundo e são incompatíveis com a nossa realidade.


