Curitiba - Por volta das 14 horas, Hamilton Texeira deixa Colombo, na RMC, para vir até Curitiba fazer hemodiálise. Nas segundas, quartas e sextas-feiras, um carro da prefeitura do município o pega em casa e o leva até o Hospital Cajuru. Das 15 às 19 horas, o sangue dele é filtrado. Depois, ele volta para casa.
Há alguns meses, Teixeira quase conseguiu um doador para realizar um transplante. Outra pessoa, porém, estava há mais tempo na fila esperando o órgão. Acabou não recebendo o rim. O filho também poderia doar. Seria um basta à rotina extenuante. Não pode, contudo, devido ao sobrepeso. Assim, ele continua esperando um novo rim.
Estima-se que hoje, entre 10% e 15% da população brasileira possui rins que não funcionam como deveriam. Desses quase 12 milhões de adultos, 70% não fazem idéia de que possuem complicações renais. Segundo Anelise Marcolin, da Pró-Renal, hipertensos, diabéticos e pessoas com casos na família têm mais chance de desenvolver doenças. Mesmo assim, grande parte da população só descobre isso quando o rim já perdeu cerca de 70% a 80% de sua função. Nestes casos, a solução é a diálise ou o transplante do órgão.
De acordo com o nefrologista Miguel Riella, todas as pessoas que perderam a função do rim são candidatas a fazer o transplante. Este só não é indicado para pacientes com idade muito avançada ou que sofram de outros males, como problemas cardiovasculares ou doenças como câncer. Em 2007, foram feitos no Brasil 3.397 transplantes de rim. Foi o tipo de procedimento mais realizado (excetuando-se os de tecidos). No total, foram realizados 4.734 transplantes de órgãos no País inteiro.
"O órgão é o mais transplantado porque cada doador falecido tem dois rins para doar. Além disso, existe mais gente na fila esperando um rim", explica Riella. Em 2007, o Paraná foi o quarto estado brasileiro a realizar mais transplantes. Do total, 173 foram de doadores vivos - e da mesma família. No restante, 82 transplantes, os rins vieram de pessoas falecidas. Para receber o órgão, tem preferência quem está há mais tempo esperando. A determinação está na lei.
Como é difícil detectar o problema, a prevenção é o melhor remédio. Dois exames simples, cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), podem acusar insuficiência renal. O exame de sangue deve ser realizado para detectar a presença de creatinina no organismo. Se o sangue contiver a substância, provavelmente o rim não funciona como deveria. O mesmo acontece se o exame de urina detectar a presença de vitaminas. Isso não deve acontecer. Entre os sintomas, os mais comuns são a anemia, o inchaço no corpo e uma fraqueza constante. (T.A.)

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