O primeiro transplante de rim do Paraná foi realizado no dia 10 de junho de 1973 no centro cirúrgico do Hospital Universitário, à época instalado no prédio da esquina das ruas Alagoas e Pernambuco, onde hoje funciona a Cohab. Naquela manhã, em um procedimento que durou cerca de quatro horas, Londrina entrava no mapa da Medicina avançada, de onde nunca mais saiu.
"Foi o trabalho de uma grande equipe. Todos, sem exceção, devem ser lembrados por este feito. Eu era apenas um dos 25", observa o médico urologista Lauro Brandina, de 74 anos. O receptor do órgão era Egídio Ramazotti, um operário diagnosticado com insuficiência renal crônica. Tinha 26 anos e viveu por 34 anos com o rim do irmão, João, três anos mais velho. Ramazotti morreu em 2007 em decorrência de um problema cardíaco, superando em nove anos a expectativa de sobrevida de um receptor.
A cirurgia foi um sucesso absoluto e provocou grande euforia na área médica do município, que tinha então cerca de 240 mil habitantes. Nos dias subsequentes, Brandina e Altair Jacob Mocelin, nefrologista que tratava de Ramazotti, se tornaram autênticos heróis da ciência e referências nacionais do procedimento. Mocelin, pioneiro do curso de Medicina da UEL, escola onde lecionou por 40 anos, morreu em março deste ano em São Paulo aos 74 anos.
O transplante foi tão bem-sucedido que obrigou a dupla pegar a estrada para inaugurar a era dos transplantes renais em outros estados. Em outubro de 1973, eles participaram de outra cirurgia inédita no Paraná, o transplante com doador falecido, uma raridade até no eixo Rio-SP. Meses depois, Londrina também abrigou o primeiro transplantes em crianças. "Nos tornamos referência. Para cá, vieram inúmeras equipes de várias partes do Brasil para treinamento", lembra.

Além de filtrar o sangue e excretar suas impurezas através da urina, os rins são responsáveis pelo equilíbrio entre o sal e água do corpo

Para ser doador, não é necessário deixar documento por escrito. Cabe aos familiares autorizar a retirada, após a constatação da morte encefálica (quando não há mais funções vitais e a parada cardíaca é inevitável)

O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.

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