Transplantados fazem festa no Paraná
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terça-feira, 04 de dezembro de 2007
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A falta de leitos ainda é o principal obstáculo para que os transplantes de medula óssea possam ser realizados no Brasil. De acordo com o médico Ricardo Pasquini, chefe do setor de medula óssea do Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), são realizados 80 transplantes deste tipo por ano no hospital - que é considerado referência no Brasil. Os resultados dependem do tipo de transplante, da complexidade e do estágio da doença. Em alguns casos, o êxito chega a 100%; em outros, os índices variam de 5% a 10%.
''Hoje no Brasil não existe mais dificuldade de se encontrar doadores. O grande gargalo é, sem dúvida, o número de leitos. Não existe estímulo para que os hospitais públicos se dediquem a fazer esse tipo de transplante porque os custos são altos e a tabela do Sistema Único de Saúde (SUS) não cobre todas as despesas'', afirmou ele. Atualmente, 500 mil doadores voluntários estão inscritos na Rede de Doadores de Medula Óssea. Este foi o diferencial para João Victor Oliveira, de 9 anos. Ele e a mãe Cristiane da Silva Oliveira, funcionária pública no Rio de Janeiro, precisaram de um doador não aparentado por não conseguirem nenhum parente que fosse compatível.
A cirurgia, feita há 93 dias, foi um sucesso. ''A gente estava no Instituto Nacional do Câncer e fomos transferidos para cá, que é referência no Brasil, quando ele conseguiu um doador. Não tivemos qualquer problema. A cirurgia foi excelente e o pós-operatório compensador'', revelou Cristiane, que participou com o filho da festa de fim de ano do HC. João Victor teve uma doença rara chamada Síndrome de Scott Audrey - uma desordem hemorrágica onde as plaquetas falham em promover a união do plasma e da membrana celular. Há 15 anos, Cristiane perdeu um filho com a mesma doença - na época, ela não conseguiu um transplante.
O menino Rafael Rodrigues Nascimento, de 6 anos, tem adrenoleucodistrofia - uma doença genética cujo defeito está no cromossomo X. A doença aparece em um de cada 100 mil nascimentos. A mulher é considerada a portadora e apenas transmite a doença para os filhos do sexo masculino. A mãe de Rafael, Maria Helena Rodrigues Nascimento, perdeu há poucos meses um filho de nove anos com a mesma doença, por não ter conseguido um transplante. Rafael conseguiu e fez o primeiro transplante, mas terá que fazer mais um. O doador virá dos Estados Unidos. ''Não vejo a hora dele fazer o transplante. Vejo aqui muitos transplantados que tiveram sucesso e me sinto feliz de ter a oportunidade de tratá-lo'', disse ela. A família é de Nova Londrina.
O transplante de medula consiste na retirada de uma pequena quantidade de medula óssea do doador em sala cirúrgica, por meio de agulhas apropriadas, que é transplantada, na forma de transfusão, pela veia do receptor.


