O sapateiro Benedito Carlos Porto, 51 anos, que submeteu-se a transplante de coração na última terça-feira, na Santa Casa de Londrina, recupera-se dentro das previsões médicas e pode deixar a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) na segunda ou terça-feira. Na tarde de ontem, ele sentou-se na cama pela primeira vez desde a cirurgia e conversou com a mulher, Tereza, com o filho Fernando e com a irmã Caudivina Porto.
Segundo os familiares, Benedito Porto mostra-se bem fisicamente, feliz e esperançoso na recuperação. ‘‘Ele está falante e não vê a hora de poder voltar para casa. Ele pediu para não esquecermos de agradecer a Deus e à família da doadora, por este gesto de carinho e solidariedade humana’’, comentou a dona de casa Tereza Porto, casada com Benedito há 22 anos.
A família do transplantado reside em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). O nome da doadora - uma mulher de 55 anos, que morreu devido a uma hemorragia cerebral - está sendo mantido em sigilo a pedido da família dela. Este foi o primeiro transplante cardíaco realizado pela equipe médica da Santa Casa neste ano e o oitavo desde 1994. Dos sete transplantados anteriormente, quatro sobreviveram.
O quinto boletim médico sobre Benedito Porto, assinado pelo médico Roberto Takeda e divulgado às 17 horas de ontem, informa que ‘‘o estado geral dele é bom, apresenta evolução satisfatória, e os exames realizados não registraram qualquer anormalidade’’.
Este foi o segundo transplante de coração realizado na Cidade desde o início do ano, quando entrou em vigor a nova lei federal de doação presumida. O primeiro foi realizado no dia 28 de fevereiro, pelo Hospital Evangélico. Nele, Júlio César de Andrade, 15 anos, recebeu o coração doado por Maria do Nascimento, 28 anos. O jovem faleceu no dia 2 de março, vítima de complicações pós-operatórias.
Benedito Porto, que esperava pela doação de um coração desde agosto de 97, estava internado em estado grave há mais de dez dias, com o diagnóstico de cardiomiopatia dilatada.

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