Trânsito violento motiva protesto em Londrina e Cambé
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 18 de setembro de 1997
Osmani Costa 
Londrina
Josoé de CarvalhoPerigo constanteMoradores do jardim Boa Vista, em Cambé, fazem protesto na rodovia: acidentes em passagem de criançasOs constantes acidentes em pontos de Londrina e Cambé causaram duas manifestações de rua ontem.
A Associação de Moradores do Jardim Boa Vista, em Cambé, fez à tarde um protesto no acostamento da rodovia BR-369, que separa alguns bairros do centro daquela cidade. A manifestação, pacífica, reuniu dezenas de pessoas no cruzamento em nível da rodovia federal com a estrada de paralelepípedos que liga os jardins Boa Vista, São Paulo e centenas de chácaras com Cambé, em frente à fábrica de balanças Açôres.
Naquele local, morreu atropelado na manhã de anteontem o chacareiro Claudener Ultramar, de 59 anos. Segundo a presidente da associação de moradores do Boa Vista, Josefa Rodrigues Cavalcanti, a insegurança é total para cerca de cinco mil pessoas que são obrigadas a cruzar diariamente a rodovia. Aqui já aconteceram vários atropelamentos nos últimos anos alguns com morte. O perigo é maior porque centenas de crianças do Boa Vista e do São Paulo precisam passar por aqui para ir à escola.
Os moradores reivindicam a instalação de semáforo ou quebra-molas no local. Queremos uma solução urgente. Serve qualquer obstáculo que diminua a velocidade dos carros, afirma Maria Heloisa Ruyz, também diretora da associação de moradores. Já levamos abaixo-assinado para a Prefeitura de Cambé por cinco vezes nos últimos anos, mas nenhuma providência foi tomada. Os bairros do lado de cá da rodovia vivem esquecidos pelas autoridades.
Mesmo com a perna direita engessada - resultado de um acidente no local em junho passado -, o pedreiro Luciano Aparecido da Cruz, 19 anos, participou da manifestação de ontem. Morador do jardim Boa Vista, ele foi atropelado por um automóvel quando atravessava a rodovia, em uma mobilete, para ir trabalhar no centro de Cambé. Os moradores reivindicam também a construção de uma passarela ou passagem subterrânea para pedestres e ciclistas.
O chefe regional do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER), José Carlos Belluzzi de Oliveira, diz que é impossível a instalação de uma lombada (quebra-molas) naquele local da BR-369. Ele admite que o cruzamento é perigoso e que já recebeu reclamações e reivindicações dos moradores através da Câmara e Prefeitura de Cambé, mas que esse tipo de solução está descartado. A situação geométrica e demais características daquele trecho, como curva e pouca visibilidade, proíbem a instalação de quebra-molas, de acordo com a regulamentação nacional de trânsito em rodovias.
Ele argumenta que a solução definitiva da insegurança naquele local virá com a já prevista construção de uma passagem subterrânea, a chamada trincheira. Já desenvolvemos estudos em conjunto com o DER e Prefeitura de Cambé, nos últimos dois anos, que comprovam a necessidade deste tipo de obra.
O secretário municipal de Obras de Cambé, Mario Vander Martins Roberto, confirma os estudos e o projeto para a construção, no próximo ano, de duas trincheiras, cada uma a 500 metros do cruzamento perigoso. Ele diz que trafegam naquela parte da rodovia cerca de 18 mil veículos por dia.


