Trânsito tira 2.909 anos de vida em Londrina
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segunda-feira, 23 de julho de 2001
Telma Elorza De Londrina 
Cálculo é feito com base na expectativa de vida e a idade com que londrinense morre. No ano passado, acidentes de trânsito mataram 90 pessoas na cidade
O risco de um londrinense morrer em acidente de trânsito é 3,5 vezes maior que o de um sueco ou inglês. A afirmação assustadora faz parte de um estudo desenvolvido pelo Núcleo de Informação em Mortalidade (NIM) da Secretaria Municipal de Saúde que, desde 1993, analisa todas as declarações de óbitos de residentes em Londrina, identificando e codificando as causas de mortes na cidade. Pelo estudo, é possível concluir que Londrina é uma cidade perigosa para jovens.
Segundo dados do NIM, a violência no trânsito e urbana lidera os índices de mortalidade precoce entre os londrinenses, além de ser o principal indicador de mortes por causas externas. Na cidade, as mortes violentas só perdem para as causadas por doenças do aparelho circulatório (principalmente acidentes cerebrovasculares) e pelas neoplasias (câncer).
Em 2000, o NIM registrou 257 mortes por causa externas, sendo 90 por acidentes de transporte e 72 por homicídios. Os dois, somados, atingiram cerca de 5,5 mil anos potenciais de vida perdidos (APVP). Os acidentes de trânsito foram responsáveis por 2.909 anos roubados dos londrinenses, enquanto os homicídios somaram 2.602,5 anos potenciais perdidos. O secretário municipal de Saúde, Sílvio Fernandes, explica que o cálculo de APVP é feito levando-se em conta a idade da pessoa quando morreu e a expectativa de vida, de 65 anos para homens e 70 para mulheres.
O secretário diz que os acidentes de transporte principalmente os de trânsito se mantêm há anos como o principal responsável pela mortalidade por causas externas em Londrina. Mesmo com a redução de mortes depois da implantação do novo Código de Trânsito, o número continua elevado. E faz parte das prioridades, do ponto de vista da sa© úde, tentar reduzir essa estatística, afirma.
Para Sílvio Fernandes, é preciso a adoção de ações intersetoriais para prevenir as mortes no trânsito. Toda a sociedade deve atuar em conjunto. A área de saúde vai poder agir somente depois que o acidente ocorrer. Para evitar, é preciso um conjunto de fatores, como melhores condições do plano viário, um sistema de transporte coletivo eficiente e órgãos de fiscalização bastante atuante, além de uma maior conscientização por parte dos usuários, avalia.
Segundo dados do Detran, Londrina tem hoje uma frota de 160.432 veículos cadastrados para 446.849 habitantes (dados do último Censo), com uma média de um veículo para cada 2,78 pessoas. Segundo estimativas da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), circulam pela cidade em meses normais uma média diária de cerca de 90 mil veículos. Em julho, mês atípico, o cálculo é que o número de veículos em circulação na cidade aumente 20%.


