Trânsito pode causar fobia de dirigir
Silvana Leão
De Londrina
O aumento de carros pelas ruas e a violência do trânsito também faz vítimas que não aparecem nos registros da polícia. São as pessoas que, por qualquer motivo, desenvolvem a fobia de dirigir, um medo tão intenso que chega ao desespero, e que tem se tornado cada vez mais comum em Londrina.
As psicólogas Maria Zilah Brandão, Elvira Gross e Isabela Torres de Chico, do Centro Londrinense de Análise do Comportamento (Celac), atendem casos de fobia e, no início deste ano, passaram a desenvolver programa de orientação psicológica e treinamento para pessoas que têm medo de dirigir. Elas explicam que o problema pode surgir de várias maneiras e, em alguns casos, pode estar acompanhado de outros medos.
A ocorrência de algum acidente, a história de vida de pessoa, críticas constantes feitas por alguém próximo e observação direta (convívio com pessoa que tenha algum tipo de fobia) estão entre as principais causas.
Segundo as psicólogas, as mulheres são as maiores vítimas das fobias específicas, e são com elas, portanto, que os casos de pânico de dirigir mais acontecem. Além de ser bem menor o número de casos de homens com fobia, eles também não assumem o medo com tanta facilidade, diz Isabela de Chico. O perfil das pessoas que desenvolvem o problema, de acordo com as psicólogas é marcado pelo perfeccionismo. Elas têm muito medo de perder o controle de si mesmo e da situação, são muito exigentes ou controladoras, dizem.
O programa desenvolvido na clínica prevê a exposição verbal do medo, como forma de diminuir a ansiedade e aceitá-lo. Em seguida entra em cena um instrutor de auto-escola treinado, que vai participar, junto com uma das psicólogas, das primeiras saídas da pessoa com o carro. Assim, gradualmente, as situações que geram maior ansiedade vão sendo enfrentadas. É a chamada terapia de exposição ou de enfrentamento.
Cada grupo é trabalhado por um período médio de dois meses e meio. Os casos mais graves são encaminhados para psicoterapia, mas, segundo as psicólogas, a média de cura tem sido em torno de 70%, de acordo com estudos que vêm sendo realizados há mais tempo no País. No caso do trabalho desenvolvido em Londrina, inédito na cidade, o índice de cura está em 95%.Medo é tão intenso que chega ao desespero. Número de vítimas aumenta em Londrina
Arquivo FolhaADMINISTRAÇÃO DO PROBLEMATrânsito londrinense mereceu inclusive programa de treinamento e orientação psicológica para pessoas que têm medo de dirigir. Fobia pode surgir de várias maneiras e, em alguns casos, pode estar acompanhado de outros medos





