Trânsito perigoso
Londrina está batendo recordes negativos. Até outubro, já houve mais homicídios do que o total registrado ao longo de todo o ano passado. O mesmo está acontecendo com relação ao trânsito: mais mortos, vítimas de acidentes, até outubro, do que durante 2001.
Considerar que isto acontece porque há cada vez mais gente na cidade, assim como há mais carros em circulação é observar a questão de modo superficial. Tanto os homicídios quanto os acidentes não precisam crescer proporcionalmente ao total de habibantes ou de carros.
Em realidade, há outros fatores. A violência está crescendo em ritmo maior do que o aumento populacional. Já em relação ao trânsito, é certo que o aumento no volume de veículos em circulação representa, sem dúvida, um fator a aumentar o risco de acidentes. Entretanto, especialmente no caso do trânsito, é certo que uma atitude mais inteligente, a adoção de cautela e respeito, um esforço de civilidade por parte, principalmente, de quem dirige, podem alterar a situação e reduzir o número de acidentes com as consequentes mortes e feridos.
Londrina tem ruas estreitas, notadamente no centro, e deve-se até elogiar o trabalho dos técnicos do trânsito que fazem verdadeiros milagres diante de todas as dificuldades. Todavia, há limite para isto. E é certo que soluções até mais radicais precisam ser buscadas visando mudar um pouco o quadro, inclusive com a redução nos perigos e uma alteração neste quadro estatístico, que é lamentável.
Uma alternativa seria a redução no uso de carros particulares. É difícil, há quem se sinta inferiorizado se andar a pé ou usar ônibus. Trata-se de um erro de conceituação, porque não é o carro que faz a pessoa, nem andar de ônibus faz de alguém um cidadão menos destacado. E andar a pé faz bem à saúde. Isto deveria ser bem observado, porque sofrer um acidente de trânsito faz muito mal à saúde de qualquer um.
Motorista gentil
Pedindo, encarecidamente, que não informasse sobre o local, o horário ou a linha do coletivo, uma leitora veio falar sobre a gentileza de um motorista de ônibus. Narrou que estava com duas parentes idosas, dirigindo-se ao ponto, quando o coletivo apareceu. ''O ponto estava a meio quarteirão e as senhoras que eu acompanhava não iriam chegar lá a tempo, até porque não poderiam correr. Então, acenei para o ônibus. E ele parou ali, abrindo inclusive a porta do meio para que as senhoras, que tem passe livre por causa da idade, entrassem sem pagar. Elas conseguiram pegar o ônibus e eu fiquei até emocionada'', contou a leitora, lembrando porém que esta atitude não é permitida pela empresa. ''Concordo que, de fato, se os ônibus parassem em qualquer lugar, isto seria perigoso e complicaria mais o trânsito. Mas é certo que a atitude do motorista foi gentil e isto não reflete bem sobre ele mas faz a gente ficar grato até com a empresa'', assinalou.





