Trânsito muda em vários pontos de Londrina
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de maio de 2004
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Dois anos após a ''revolução'' feita no trânsito da Vila Casoni (Zona Leste), é a vez de outro bairro pioneiro de Londrina sofrer mudanças em todo o seu sistema viário. A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) planeja iniciar, no mês que vem, intervenções em quase todas as ruas da Vila Nova (Área Central).
De acordo com o gerente de trânsito da CMTU, Álvaro Grotti, o sistema de mão única será implantado na maior parte das vias, que atualmente permitem o tráfego de veículos em dois sentidos. ''Já tivemos várias reuniões com os moradores para discutir o projeto e devemos iniciar as mudanças a partir de junho. Vamos mexer no trânsito do bairro inteiro, como foi feito na Vila Casoni'', adiantou.
O presidente da Associação de Moradores da Vila Nova (Amovin), Manoel Granado Ramirez, comentou que a última reunião ocorreu na semana passada, no Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) e que, com todas as mudanças já definidas, os moradores estão apenas aguardando os trabalhos. ''Somente as ruas Araguaia e Tietê continuarão com duas mãos. O problema das outras ruas é que são muito estreitas, os carros estacionam dos dois lados e acabam dificultando bastante a passagem'', explicou. Ramirez garantiu que ''mais de 90%'' dos moradores aprovaram o projeto.
Na Vila Casoni, ao contrário, o atual plano viário divide opiniões. Dois anos após as mudanças, parte dos comerciantes do bairro ainda sonha em ter de volta a mão dupla na Avenida Jorge Casoni. Eles alegam que a redução do fluxo de veículos fez cair também o movimento no comércio local, além de transferir grande volume de carros para ruas adjacentes, de menor porte. ''Absorvíamos o fluxo de clientes que subiam para o centro e, no caminho, paravam por aqui. Agora eles só passam na volta, depois que já fizeram as compras. Nossas vendas cairam uns 30%'', reclama o comerciante de peças para motocicletas Claudemir Ricardo, 33 anos.
''Essa área ficou praticamente esquecida. Nosso desejo era que voltassem as duas pistas, dessa vez com semáforos, para evitar os acidentes'', argumenta o dono de uma loja de tintas, Agenor Oliveira da Silva, 56, lembrando que a princípio concordou com as mudanças, mas se desapontou ao ver o movimento reduzido pela metade.
O colega Mauro Rodrigues, 63, outro comerciante da Jorge Casoni, discorda categoricamente. ''Melhorou muito porque não tem mais acidentes. Antes, tinha até três por dia, inclusive com mortes. Diminuiu também o barulho'', opina. Antes das modificações, a CMTU contabilizava tráfego de 1,5 mil veículos por dia na Jorge Casoni, e mais de 100 acidentes em um único ano na avenida e adjacências. O gerente de trânsito da CMTU disse que não tem conhecimento de reclamações e comentou que apenas uma rua do bairro deverá sofrer nova mudança.


