Trânsito matou 229 no primeiro semestre
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Curitiba 
Apesar das campanhas educativas e do aumento do policiamento, os números da última estatística do Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) mostram que o trânsito em Curitiba está cada vez mais violento. Mesmo com a diminuição do índice total de acidentes, está havendo, desde o ínicio de 97, um crescimento preocupante do número de mortes. Somente nos seis primeiros meses deste ano já foram registradas 229 mortes nas ruas de Curitiba - mais da metade do número total de acidentes com vítimas fatais registrados durante todo o ano passado (363). Se os índices continuarem crescendo no mesmo ritmo, a expectativa do BPTran é que Curitiba encerre o ano contabilizando a morte de mais de 450 pessoas.
A principal razão para o alto índice de mortalidade no trânsito, segundo o tenente-coronel Nelson Carnieri, do BPTran, continua sendo o excesso de velocidade, aliado ao consumo de bebidas alcóolicas. As colisões têm ocorrido com menos frequência, mas a violência dos choques tem feito crescer o número de vítimas. Há muitos acidentes estúpidos, em que se percebe que nada teria ocorrido se o motorista não estivesse bêbado, afirma Carnieri. O comandante do BPTran cita exemplos comuns de colisões com muros, árvores e postes em ruas consideradas tranquilas.
A desatenção dos pedestres ao atravessar cruzamentos, principalmente no período das 16h às 20h, também tem contribuído para o alto índice de atropelamentos no Paraná. Nos acidentes envolvendo veículos e pedestres, na maioria das vezes a culpa é dos pedestres, afirma o diretor do Detran/PR, César Franco. Segundo dados do Departamento, cerca de 580 crianças são atropeladas anualmente no Paraná. O descuido dos pedestres, aliado ao crescimento da frota de veículos - só nos últimos seis meses, 30 mil novos carros foram para as ruas - figura como a segunda maior causa dos atropelamentos.
De olho nestes índices, a Prefeitura Municipal de Curitiba, o Detran/PR e o BPtran pretendem veicular, ainda no segundo semestre deste ano, uma campanha educativa destinada a pedrestes e motociclistas. Nos mesmos moldes da campanha que apelidou os maus motoristas de anta, rato e perua, as novas peças publicitárias pretendem corrigir também os erros de comportamento dos coadjuvantes do trânsito. As propagandas ainda não têm data definida para ir ao ar. (C.P.)


