Londrina- Pista molhada e motos em alta velocidade. A combinação perigosa terminou em duas mortes em um intervalo de pouco mais de 30 minutos na manhã de ontem em Londrina. Alexandre Batista Okada, de 33 anos, que bateu contra um táxi na Avenida Dez de Dezembro, na zona sul; e Leandro José da Silva, de 37 anos, que estava com identidade falsa, moto roubada e se chocou na lateral de um ônibus do transporte coletivo, na zona norte, engrossaram as estatísticas que apontam um motociclista morto por semana na cidade.
De acordo com o Placar da Vida, divulgado pela Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), das 99 mortes registradas em acidentes de trânsito em Londrina no ano passado, 53 envolviam acidentes com motocicletas. Com o fechamento da primeira quinzena de janeiro, a CMTU computa três mortes neste ano. Além dos dois motociclistas, um homem morreu em um acidente de carro.
Durante o atendimento do acidente na zona norte, a Polícia Militar registrou o boletim pelo RG encontrado com a vítima, que tinha o nome de Valdeci Trocini Junior. Somente depois, os policiais descobriram que se tratava de uma identidade falsa e que o corpo era de Leandro José da Silva, morador do Conjunto José Giordano, na zona norte. A motocicleta havia sido roubada no dia 5 deste mês, no semáforo da Sadia, na BR-369. O corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. Papiloscopistas foram acionados para confirmar a identidade.
Segundo testemunhas, Silva seguia pela Avenida Alexandre Santoro e, ao se aproximar do cruzamento com a Francisco Gabriel Arruda, tentou frear, mas por conta da forte chuva perdeu o controle da motocicleta Honda CB 300. Ele derrapou por cerca de 20 metros e bateu na lateral do ônibus do transporte coletivo linha 501-Vivi Xavier, da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). O motorista do ônibus, Carlos Santana, que seguia sentido bairro com cerca de 30 passageiros, ainda desviou, mas não conseguiu evitar o choque. Silva morreu na hora. "Foi muito rápido. Só tive tempo de mudar de faixa, mas não adiantou nada", lamentou Santana.
A Polícia Militar isolou a área até a chegada do Instituto de Criminalística, que ainda atendia a primeira ocorrência. O chefe do Instituto de Criminalística (IC) de Londrina, Luciano Bucharles, informou que as ocorrências são bem parecidas, mas que somente a perícia detalhada poderá determinar o que de fato ocorreu. A mãe da vítima, Emília de Oliveira Silva, de 65 anos, contou que o filho havia pegado a moto no dia anterior, após trocar em um carro. "Eu falei pra ele continuar com o carro, porque andar de moto é perigoso. Ele disse que não tinha perigo", revelou. A Polícia Civil instaurou inquérito para investigar o caso.
Já o primeiro aconteceu por volta das 7h30 da manhã, quando o motorista de táxi José Carlos Ramos Righi, de 60 anos, trafegava pela Avenida Dez de Dezembro (zona sul) para buscar um cliente, quando na altura da Rua Maria Calsavara Gallo resolveu fazer a conversão sentido Rua Veneza. Mas ao cruzar a outra pista da Avenida Dez de Dezembro se chocou contra a motocicleta Honda ML 125 conduzida por Okada. Uma das testemunhas foi o marceneiro Diego Reis, de 28 anos, que destacou que a motocicleta seguia em alta velocidade.
Reis afirmou que o motociclista começou a frear a cerca de 15 metros da faixa de pedestres, quando a moto tombou e foi deslizando pela pista. A motocicleta ainda ficou se arrastando por 10 metros antes de atingir o táxi, um Prisma. "A cabeça do motociclista atingiu a roda do táxi. Eu fui tentar socorrer, mas quando fui ver a pressão arterial dele, já estava bem fraca." Okada não resistiu aos ferimentos e morreu no local. Uma equipe do Instituto Médico-Legal (IML) esteve no local para recolher o corpo e fazer a necrópsia.
Bucharles esteve no local para coletar os dados e afirmou que os cálculos para se determinar a velocidade da motocicleta não são simples. "As marcas de frenagem da motocicleta têm 6,6 metros de extensão, mas só esse dado não é suficiente para calcular a velocidade. Temos que verificar também os danos na motocicleta e no táxi para fazer essa conta. São cálculos extremamente complexos", apontou. No momento do acidente chuviscava e a pista estava escorregadia.
Recentemente a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização divulgou um relatório no qual aponta a Avenida Dez de Dezembro como uma das mais perigosas da cidade. No ano passado foram registrados seis acidentes fatais no local.

Um dos desastres envolveu uma moto roubada
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