Uma pesquisa feita pela 2 Companhia de Policiamento Rodoviário em Londrina derrubou a tese de que os jovens motoristas somam o maior número de vítimas nas estradas. De janeiro a julho deste, nos cerca de 3,6 mil quilômetros da malha rodoviária do Norte paranaense, foram registrados 839 acidentes com feridos e 81 com vítimas fatais (59 motoristas e 34 passageiros). O número de óbitos entre condutores com mais de 31 anos foi de 39 (66% do total), e maioria era do sexo masculino (56 vítimas). Essa constatação vai provocar uma mudança de alvo nas próximas campanhas preventivas, já que experiência prática dos motoristas mais antigos não está sendo suficiente para garantir a segurança no trânsito.
Quando se considera o número de condutores feridos, os homens que já passaram da casa dos 30 anos também são maioria. Entre os 735 motoristas feridos, 374 eram do sexo masculino e tinham mais de 31 anos. Entre as mulheres motoristas maiores de 31 anos, apenas 29 sofreram ferimentos após se envolverem em acidentes. As vítimas menores de 30 anos somaram 332, entre homens e mulheres.
O levantamento vai provocar mudanças nas campanhas de conscientização e prevenção, antecipou o comandante, capitão Sérgio Dalben. ''O enfoque está errado porque o jovem não é o maior autor de acidentes como se pensava. O adulto mais experiente é que está morrendo e causando mais acidentes'', comentou.
Para Dalben, a pesquisa pode indicar que o motorista mais experiente na prática de dirigir nem sempre é o mais atento à sinalização e às leis de trânsito, porque demoram mais tempo para serem submetidos a reciclagens. ''É uma falsa sensação de segurança, porque esse condutor tem experiência prática mas não tem conhecimentos sobre o Código Brasileiro de Trânsito (CBT), sobre a sinalização. Falta a experiência legal e as placas, muitas vezes, são vistas mais como um problema do que como um auxílio'', observou.
Ele afirmou que a questão é mais preocupante em cidades menores, porque os condutores mais velhos dessas localidades estão acostumados a percorrer menores distâncias, recebem menos informações sobre trânsito e, portanto, estariam mais propensos a se envolverem a acidentes quando circulam em rodovias de movimento mais intenso.
Segundo o capitão, com a entrada em vigor do CBT em 1998, o jovem motorista passou a ser mais policiado e a ter que se reciclar em menos tempo. Hoje, por exemplo, o Código estabelece que a primeira habilitação é provisória pelo período de um ano e só depois, se não se envolver em infrações graves, ele recebe o documento permanente. ''Enquanto a lei não se torna um hábito na sua vida, você desrespeita naquelas condições em que acha que não irá comprometer sua segurança.''

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