Curitiba - O trânsito é a segunda causa de morte violenta no Brasil e a primeira envolvendo jovens, na faixa etária entre 14 e 25 anos, principalmente do sexo masculino. A maior parte destes acidentes acontece nas madrugadas de sexta-feira, sábado e domingo, um indício de que as ocorrências estão ligadas ao consumo do álcool. Mais do que indícios, o psiquiatra Luiz Renato Carazzai, do Conselho Estadual de Entorpecentes do Paraná, mostrou que 39% dos acidentes não estão ligados ao consumo de bebidas. Os restantes 61% têm relação com o álcool, maconha, ecstasy, cocaína, anfetaminas ou outras drogas.
Dados do Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma em Emergência (Siate) de Curitiba apontam para o mesmo caminho. No ano passado, 21% das vítimas atendidas tinham entre 14 e 19 anos. Foram 8,6 mil acidentes que deixaram um saldo de 10 mil vítimas. Deste total, cerca de 20% foram consideradas ocorrências graves, ou seja, causaram mortes ou deixaram sequelas nas vítimas.
‘‘O risco é ainda maior porque a sociedade estimula o consumismo, mostra que um carro dá status, ou seja, mostra que o consumismo representa liberdade, mas não alerta sobre a responsabilidae necessária para dirigir’’, afirmou Carazzai. Ele criticou a postura da maioria dos pais que presenteia seus filhos com carros sem saber se eles têm consciência dos perigos da direção. Segundo o especialista, bastam duas latas de cerveja para redução dos reflexos e perda de atenção ao volante.
Como resolver –ou ao menos minimizar este problema– foi o tema do IV Encontro Municipal de Segurança no Trânsito, realizado ontem na Câmara Municipal de Curitiba. Organizado pelo vereador Marcelo Almeida (PMDB), o encontro faz parte de uma série de nove eventos que discutem os problemas de trânsito na Capital.

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