Trânsito é a 3ª maior causa de mortes
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terça-feira, 17 de junho de 1997
Josiane Schulz Londrina 
Um acidente de trânsito, na noite de segunda-feira, resultou na morte do pedreiro Francisco Carlos Lopes, 34 anos. A moto Honda XL 250, placa AAU 3027, pilotada por Lopes, bateu de frente com o Passat, placa AGY 1050, conduzido pelo mecânico Luis Carlos Stefane, 33 anos.
O acidente aconteceu na rua Orlando Silva, no Conjunto Lindóia (zona leste), às 21h30. Sem testemunhas, a Companhia de Trânsito do 5º Batalhão da Polícia Militar de Londrina (Ciatran) não sabe exatamente a causa do acidente. Lopes morreu no local, com traumatismo craniano, fraturas e escoriações.
O acidente no conjunto Lindóia mostra uma situação que vem se tornando frequente no trânsito londrinense. A morte de Lopes é mais um alerta para o aumento do número de vítimas fatais nos acidentes envolvendo motos. Só no mês de junho, seis motoqueiros e um acompanhante morreram em Londrina. Ente ano, foram 22 casos - mais da metade do total de casos registrados no ano passado.
Os números preocupam. Segundo a coordenadora do Núcleo de Processamento e Análise de Dados (NPAD) da Autarquia Municipal de Saúde, Selma Maffei de Andrade, os acidentes de trânsito são a principal causa de morte na faixa etária de um a 39 anos. No geral, os acidentes de trânsito, juntamente com outras causas externas, ocupam a terceira posição na causa de mortes, ficando atrás apenas dos problemas cardiovasculares e do câncer.
Dados do NPAD mostram que no ano passado foram registrados 2.245 óbitos em Londrina. Desses, 123 foram em acidentes de trânsito, 41 envolvendo motos. Selma de Andrade lembra, que de 94 para 95, o número de motoqueiros vítimas do trânsito subiram de 25 para 40. Foi um aumento de 60%. São números alarmantes.
As justificativas para o aumento de mortes de motoqueiros em acidentes vão desde o número elevado de motos, mobiletes e outros veículos motorizados de duas rodas (que hoje chegam a 25,5 mil em Londrina, conforme dados do Departamento de Trânsito - Detran) até imprudência de motoristas e pilotos. Mas a principal delas é a falta de uso do capacete, peça fundamental de segurança. O cotovelo continua sendo mais importante que a cabeça, observa o chefe da Ciatran, capitão Manoel Cruz Neto.
Segundo ele, o maior problema está na própria consciência do motoqueiro. Geralmente eles não acatam a lei, correm demais e não usam capacete. Cruz Neto afirma que a Ciatran tem buscado investir na conscientização sobre a importância do uso de capacete e de outros equipamentos de segurança. Ele lembra que o uso de capacete é obrigatório. O motoqueiro que for pego sem capacete pode ser multado em 48 Ufirs.
O tenente do Corpo de Bombeiros de Londrina, Ezequias de Paula Natal, divide a mesma opinião que Cruz Neto no que diz respeito ao capacete. Segundo ele, os acidentes atendidos pelo Sistema Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências (Siate) mostram que muitos motoqueiros não se preocupam com o uso do equipamento. O capacete é peça fundamental para evitar o traumatismo craniano. É necessário criar a consciência de que é importante se proteger e dirigir com atenção, afirmou.
Só neste ano, o Siate atendeu 1.167 acidentes de trânsito com vítimas (mortos ou feridos). Desse total, 531 envolviam motos. No mês de junho, foram 53 acidentes. Esses dados referem-se a acidentes em Londrina, incluindo rodovias.


