Trânsito de abalar os nervos do motorista
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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Identificar os problemas do trânsito de Londrina é fácil. Pergunte a qualquer motorista e a resposta estará na ponta da língua: excesso de carros, vias estreitas, semáforos antigos que não permitem a instalação da onda verde, condutores que se comportam como se fossem os ''donos'' da rua. As soluções, porém, são demoradas, envolvem tanto alterações estruturais no espaço urbano como mudanças de atitude daqueles que estão atrás do volante. Sem remédio a curto prazo, a alternativa, segundo especialistas, é estar bem preparado para a tarefa de dirigir, que está cada dia mais árdua.
A psicóloga londrinense Fernanda Brandão Gonçalves lembra que o trânsito da cidade mudou muito nos últimos anos, com o aumento desenfreado no número de veículos, e que o melhor a fazer é se conscientizar desta nova realidade e se programar antes de sair de casa. ''Não adianta contar com a sorte, achar que vai conseguir se locomover rapidamente de um local para outro. É preciso pensar que as dificuldades existem e que sempre há possibilidade de imprevistos'', recomenda.
Fernanda observa que a individualidade, a falta de tolerância e a falta de respeito às regras que imperam na sociedade atual se refletem no trânsito, daí a necessidade de os pais estarem alertas para comportamentos como estes diante dos filhos. ''Estudos já comprovaram que as pessoas agressivas, propensas à irritabilidade, com baixa tolerância à frustração e que frequentemente ignoram as regras se envolvem muito mais em acidentes.'' A psicológa alerta que, no trânsito, este tipo de perfil ganha uma dimensão ainda mais preocupante, pois o carro causa uma sensação de poder e pode se tornar uma arma, capaz de causar um ''impacto brutal''.
Para a psicóloga a ''palavra mágica'' capaz de tornar a disputa por espaço nas ruas menos caótica é respeito. ''É preciso ter respeito pelas leis de trânsito, pelo outro e pelo espaço do outro.'' Ter humildade para admitir os próprios erros e consciência do impacto dos seus atos sobre o outro motorista também ajudam muito, segundo Fernanda.
Já a psicóloga paulistana Neuza Corassa, que trabalha na área de comportamento no trânsito, lembra que um dos perigos é a dificuldade de prevermos como o outro vai reagir em determinada situação. ''O trânsito é um espaço único, ninguém escolhe compartilhá-lo. Além do aglomerado de veículos, há frustrações e preocupações com a vida que podem desencadear reações inesperadas.''
O presidente da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Fábio Racy, observa que o estresse ao volante, além de aumentar os riscos de o motorista se envolver em atos de violência, pode desencadear complicações gástricas, cardiovasculares e vícios de postura. ''Sair com antecedência e não pensar no tempo perdido evita aborrecimentos'', reforça.
Segundo o comandante da Companhia de Trânsito de Londrina, tenente Ricardo Eguédis, os problemas de trânsito no anel central de Londrina são agravados pela falta de vagas em estacionamentos (há um grande número de serviços, como bancos e escritórios, que não disponibilizam vagas) e pela ausência de transporte público eficiente, capaz de incentivar quem mora relativamente perto do Centro a deixar o carro na garagem. ''É preciso incentivar uma mudança de comportamento'', defende.
De acordo com o comandante, o número de brigas geradas pelo estresse no trânsito ainda não chega a ser preocupante em Londrina, mas assusta a forma como muitos encaram o meio particular de transporte: ''Tem motorista que acha que os carros são a extensão de suas casas''. Em 2009, informou Eguédis, houve diminuição no número de acidentes no perímetro urbano. ''Mas a média ainda fica na casa das 5 mil ocorrências ao ano, o que consideramos muito.'' (Com Agência Estado)


