Congestionamentos e risco constante de acidentes fazem parte do cotidiano dos motoristas que transitam pela PR 445, entre a Universidade Estadual de Londrina (UEL) e as proximidades do shopping Catuaí, na Zona Sul da cidade. O trânsito local foi preparado apenas para o movimento do centro de compras. A instalação de duas universidades - Unopar e Metropolitana - e os vários condomínios horizontais na região, entretanto, resultaram em aumento de fluxo maior que o previsto.
Como consequência, o registro preocupante de acidentes na rodovia. De acordo com levantamento da Polícia Rodoviária, entre os quilômetros 64 e 81, no perímetro urbano de Londrina, aconteceram 56 acidentes com 40 feridos e quatro mortes desde o início do ano. Em 2004, o saldo foi de 155 acidentes, 126 feridos e nove mortos.
O jornalista Celso Mattos é vítima frequente do trânsito caótico da região. Como trabalha na UEL e dá aulas na Metropolitana, ele trafega pela rodovia com frequência. ''Apesar do movimento, muitos motoristas cruzam a pista em local proibido para cortarem caminho e evitarem o contorno. É muito perigoso'', afirmou ele, que já presenciou vários acidentes no local. Outro problema ressaltado por Mattos é a travessia da PR 445 por alunos que chegam às escolas de ônibus. ''Não têm faixa de segurança, sinaleiro ou quebra-molas. Eles atravessam na sorte'', relatou.
O pesquisador Pedro Mario Araújo, que trabalha no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) e mora no conjunto Vivendas do Arvoredo, próximo à instituição, também enfrenta dificuldades para transitar na rodovia. Após a morte do pesquisador Antônio Kishino, há um ano, em frente ao centro de pesquisas, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) fechou o cruzamento que havia no local, obrigando motoristas a fazerem o retorno nas rotatórias mais próximas. ''Foi uma solução caseira'', criticou ele.
Para Araújo, a solução para a intensificação do tráfego é tratar o trecho urbano da rodovia como uma avenida, com utilização de mecanismos redutores de velocidade. ''Os motoristas andam em alta velocidade. Acidentes continuam acontecendo'', denunciou.
O capitão Sérgio Dalben, comandante do 2º Batalhão da Polícia Rodoviária, confirmou os problemas relatados pelos dois motoristas. ''As univerisdades são pólos geradores de trânsito'', disse. Ele acredita que a duplicação da pista no trecho em questão ou a construção de um contorno para desviar a rodovia da área urbana amenizariam os acidentes.
A gerente de trânsito do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul), Cristiane Biazzono Dutra, afrimou que o problema caminha para ser solucionado - pelo menso em parte - com a construção da Avenida Ayrton Senna. O primeiro trecho - entre as avenidas Bento Munhoz da Rocha e Madre Leônia Milito - será inaugurado em breve.
O segundo trecho chegará até a PR 445, onde será construído um dispositivo para evitar o cruzamento de fluxos conflitantes de carros. ''Pode ser um viaduto ou uma grande rotatória'', disse, acrescentando que a obra, por estar locailizada na rodovia, será feita em parceria com o DER.
Ainda conforme a gerente, os dois órgãos não chegaram a um consenso sobre o mecanismo mais adequado. A reportagem da Folha não conseguiu localizar o superintendente do DER, Wilson Luiz Bazzo, na tarde de sexta-feira.

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