Deixar os filhos na escola ou pegá-los na saída pode não ser uma tarefa tão simples nos dias de hoje. Com o movimento intenso nas ruas, principalmente na hora de rush e a falta de um espaço adequado para parar o veículo, o compromisso diário pode se tornar um transtorno para os pais e para a própria escola. O problema acontece em vários colégios, públicos ou privados, principalmente no Centro.
Na Escola Estadual Evaristo da Veiga, na Rua Goiás, Área Central de Londrina, o movimento de veículos é intenso e não há espaço para que os pais estacionem os veículos. O grande fluxo de carros coloca em risco a segurança dos 680 alunos da primeira à oitava séries.
No final da manhã de ontem, a reportagem acompanhou a saída dos alunos e flagrou várias situações de desrespeito. Pais e motoristas de vans escolares param em filas duplas e as crianças são obrigadas a entrar nos veículos no meio da rua. Na saída de um dos veículos quase houve uma colisão com outro carro, que descia a rua. Os dois motoristas acabaram discutindo e se agredindo verbalmente. Buzinas e falta de paciência são comuns.
Em frente à escola apenas duas vagas para carga e descarga que, segundo a supervisora da escola, Sônia Maria Quinteiro, não são respeitadas. ''Qualquer pessoa estaciona e quando os pais chegam para buscar as crianças não tem lugar para parar.''
Sônia afirma que o movimento grande de veículos fez com que a escola solicitasse da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU) a colocação do semáforo, instalado no local há cinco anos. ''Nem isso tinha. As crianças desciam no ponto de ônibus e atravessavam a rua com o maior movimento. Era um perigo.'' Hoje, o semáforo com tempo para pedestre facilita a vida dos alunos, que têm mais segurança no momento de atravessar a rua.
O assunto também é tratado dentro das salas de aulas. ''Como estamos em um local muito movimentado, sempre fazemos alerta para as crianças e orientamos sobre as leis de trânsito. Graças a Deus não temos nenhum registro de acidentes envolvendo alunos aqui na frente da escola'', disse Sônia.
No Colégio Hugo Simas, na Rua Hugo Cabral, também no Centro, de acordo com o diretor geral, Fernando Munhós Neri, a situação é ''caótica''. Ele afirma que desde 2006, quando assumiu a direção da escola, solicitou alterações na sinalização do trânsito em frente ao colégio. Entre os pedidos estão a pintura de faixas de travessia em frente ao portão principal, alerta de que no local existe uma escola e de guarda-corpo, protetor que impede os alunos de ir para a rua.
O diretor afirma que encaminhou pessoalmente vários protocolos à CMTU e ao Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) desde 2006, mas até hoje nada foi atendido. Ele afirma que em uma das situações a CMTU orientou que a própria escola adquirisse o guarda-corpo e que a Companhia se responsabilizaria pela instalação. ''A escola não tem dinheiro para isso. Cada guarda-corpo custava em média R$ 250. Precisávamos de 17 peças.'' O colégio tem 1.850 alunos da primeira série até o terceiro ano colegial.

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