A combinação da melhoria do poder aquisitivo com o desejo de maior conforto fez com que houvesse uma explosão no comércio de motos em todo o Brasil. O estudo ''A mobilidade Urbana no Brasil'', do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), aponta um crescimento de 19% ao ano na compra de motocicletas, enquanto a demanda por transporte público caiu 30% na última década. No mesmo período, a compra de carros cresceu em média 9% ao ano. Segundo a pesquisa, se for mantido esse padrão, a previsão é de que a partir de 2012 a aquisição de motocicletas será maior do que a de automóveis.
O aumento da frota de duas rodas traz consequências preocupantes. O Ipea registra que em 1997 morreram 12,5 mil pedestres, 973 motociclistas e 3,9 mil pessoas em carros em todo o Brasil. O mesmo estudo diz que em 2007, depois que 7,6 milhões de motos entraram em trânsito em todo o País, o número de mortes de motociclistas passou para 8.118, o de pedestres caiu para 9.657 e o de pessoas em carros, subiu para 8.273.
Os números registrados no Paraná também confirmam o aumento de ocorrências com motos. Em 2009, aconteceram 23.873 acidentesm com motos, com 20.238 vítimas não fatais e 331 mortes, de um total de 106.321 ocorrências. No ano passado aconteceram 98.847 acidentes, sendo 25.456 envolvendo motocicletas e que resultaram em 21.724 feridos e 401 vítimas fatais. A assessoria de comunicação do Detran informa que não fechou os dados relacionados ao primeiro semestre de 2011.
Mais exposto
O especialista em Gestão e Planejamento do Trânsito, major Sérgio Dalbem, explica que a motocicleta proporciona mais agilidade e oferece um componente de aventura, mas ressalta que se o condutor não for consciente fica mais exposto ao risco que o motorista de um automóvel. Além disso, o motociclista deve se preocupar mais com os equipamentos de segurança. ''O motorista de um carro está protegido pelas quatro paredes de lata, enquanto o condutor de motocicleta está mais exposto e qualquer choque pode provocar uma lesão grave'', conta. Ele diz que mesmos os equipamentos de segurança são incapazes de reduzir as sequelas de um acidente. ''Eles têm diminuído o número de mortos, mas estamos criando um exército de pessoas amputadas'', afirma.
Segundo ele, pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas saíram da mesma cultura. ''Todos eles cometem erros e as pessoas que criticam geralmente são as mesmas que cometem infrações'', conta. Ele diz que não é fácil mudar esse quadro, pois requer uma mudança de comportamento e que exige um programa de reeducação no trânsito.
''Estamos caminhando para um modelo de transporte asiático'', se referindo a países como Índia e Tailândia que utilizam as motocicletas e os ciclomotores como modal de trasporte predominante.
Em Arapongas, cidade do Norte conhecida durante muito tempo por concentrar uma das maiores frotas de bicicletas por habitante do Paraná, dados sobre acidentes com motos preocupam. Somente no primeiro semestre deste ano foram registrados 389 acidentes envolvendo motos. Cinco pessoas morreram neste ano no trânsito, sendo quatro motoqueiros e um pedestre, que também foi a óbito em virtude de um acidente envolvendo moto. (com Agência Estado)

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