Imagem ilustrativa da imagem TRÂNSITO - Caminho nada suave
| Foto: Ricardo Chicarelli
Travessia entre as ruas Pedro Rufino e Peru: acesso de veículos foi proibido



Ir para o trabalho, para a casa de um parente ou mesmo para o mercado do bairro pode se tornar uma tarefa bastante difícil quando o caminho mais curto é uma via que não está asfaltada, sem iluminação e calçada e, muitas vezes, local de despejo de lixo. Muitas dessas "ruas" não recebem melhorias porque não existem oficialmente - ficam em lotes que ainda não foram urbanizados e não pertencem ao poder público. Com a expansão urbana do município, essas áreas acabam "espremidas" entre dois bairros povoados.
O mecânico Paulo Galeasi Aparecido passa todos os dias a pé pela extensão da Rua Noé Salustiano de Moraes, entre o Jardim Padovani e Conjunto Maria Celina (zona norte de Londrina) para trabalhar nos Cinco Conjuntos. No entanto existe um pequeno trecho de aproximadamente 100 metros que não possui asfalto. "Eu moro no Vista Bela e vindo por aqui gasto 50 minutos para ir ao trabalho. Se eu tiver que dar a volta eu levo 1h20", relata. "Uma vez acordei atrasado e, para não dar a volta por fora, amarrei sacolas de plástico nas pernas para não sujar o tênis e a calça, porque é muito barro."
Nos dias de sol forte, o problema é a poeira levantada pelos veículos que passam por ali. A aposentada Maria das Graças Gouveia Silva mora ao lado dessa rua. "Se a gente colocar a roupa no varal, ela fica toda vermelha. A poeira também suja a casa inteira e a gente não vence limpar tudo", conta.
Marly Mendes também mora na região e utiliza a rua. "Não compensa pegar o ônibus para ir ao trabalho, sendo que eu moro no bairro ao lado. Por aqui eu gasto 6 minutos e dando a volta eu chego a gastar 40 minutos", calcula.
Perto dali, na continuação da Avenida Pedro Carrasco, no Jardim Everest, também na zona norte, os moradores chegaram a fazer protestos para reclamar dos problemas. "Eu moro aqui há sete anos e sempre sofremos com a poeira e com o barro", aponta a costureira Neoni Vidal.
Sua vizinha, a dona de casa Lucilene Caçula Rodrigues relata que o carro do marido já teve o pneu furado por trafegar nesse trecho sem pavimentação asfáltica. "Agora ele prefere dar uma volta grande a arriscar passar por aqui", aponta.

VOLTA
Apesar de não existirem oficialmente, algumas ruas são usadas até pelo ônibus de transporte coletivo. É o caso da Rua São Benedito, que faz a conexão entre o Jardim Nova Olinda e o Jardim Santo André (zona oeste). O técnico de instalação de alarmes e portões Alexandre Pires Santana passapela via diariamente, já que mora no Residencial Vista Bela e trabalhar no Conjunto Ruy Virmond Carnascialli. "Esse é o melhor caminho, pois passando por aqui economizo combustível, mas a pista fica com uma buraqueira por causa dos ônibus que passam por aqui", relatou.
O motorista Robson Batista questiona a alegação da prefeitura de que não pode pavimentar a via porque o lote é particular. "Se o lote é particular, por que os ônibus podem passar por ali? Então nem os ônibus e carros deveria passar por lá."
Foi o que ocorreu na via localizada entre as ruas Pedro Rufino e a Peru, que liga o Jardim Europa à Vila Rodrigues, na zona sul, que teve a circulação de veículos proibida há cerca de dez dias. A empregada doméstica aposentada Lídia Chaves critica o fechamento da travessia. "O pessoal usava muito. Tinha um movimento forte de carros e eu passava por lá para ir na igreja do outro lado. Agora está cheio de pedras e pedaços de madeira e fica difícil transitar", reclama. "Falaram que ali é uma propriedade particular e que não podem asfaltar, mas a gente precisa de um caminho para ir de um bairro a outro, senão temos que dar uma volta enorme", expõe.

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