Transformando pessoas pela música
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quinta-feira, 16 de julho de 2015
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
O Cine Com-Tour já foi o local de exibição de grandes filmes. Mas durante o Festival de Música de Londrina tornou-se o palco para os ensaios da Orquestra Sinfônica do Festival, que este ano tem uma novidade, que é a integração de três projetos que desenvolvem um trabalho socioeducativo musical de significativo impacto em suas comunidades. São estudantes do Neojibá (BA), Ação Social pela Música (RJ) e Guri (SP). Para o maestro espanhol Joseph Caballé Domenech, o maior desafio é mostrar que a música é o mais importante que há. "E fazê-los viver a experiência que é possível mudar pela música", destacou.
O maestro salienta que não há diferenças em ensinar pessoas de nacionalidades diferentes, mas há há diferenças nos ensinamentos que eles já receberam. "As escolas ensinam de várias formas. Há gente que toca de uma maneira, há gente que toca de outra maneira, e quando se encontra um grupo tão heterogêneo como este é preciso fazer um trabalho para igualar as coisas para que tudo fique mais homogêneo", explicou.
No ensaio de ontem, o maestro pedia intensidade aos alunos e também corrigia a diferença de tempo das notas. Outro professor que corrigia os alunos era o venezuelano Santiago Garmendia, um dos fundadores do El Sistema, na Venezuela, que foi fundado há 40 anos e hoje conta com 600 mil alunos. Ele relata que tudo começou em uma garagem, com apenas 11 alunos. "Depois de tantos anos há uma política de estado, há um Fundo Musical Simón Bolívar, que cada músico se torna um produtor que busca recursos para financiar seus núcleos em entidades. É claro que toda vez que há uma mudança de gestão, há dificuldades da continuidade disso. A gente trabalha com crianças e nós mostramos a importância às autoridades de integrar as crianças mais pobres através da música à sociedade. Não é um tiro no céu. Há uma garantia total", relatou.
Para quem integra os projetos sociais no Brasil, a sensação de vivenciar o festival em Londrina é única. O violinista Gabriel de Jesus da Paixão, de 13 anos, é integrante do projeto Ação Social pela Música, do Morro do Alemão, no Rio. Ele destacou que a experiência em Londrina tem sido muito boa. "Mas para chegar aqui deu muito medo. Foi a primeira vez que saí do Estado e foi a primeira vez que embarquei em um avião. Quando o avião começou a tremer, achei que ia morrer, mas depois deu tudo certo. Tenho trocado dicas com outros músicos e eles me incentivam muito", revelou.
Já Natanael Jesus da Paixão, de 15 anos, toca viola de arco e também é do Complexo do Alemão. "O principal desafio é nunca perder o foco e nunca fraquejar, porque se você para, você não consegue. Aquele que dá muita "audiência" (importância) para tiroteios e drogas, que são as coisas que influenciam muito os jovens, não consegue. Tenho um conhecido com quem eu conversava que foi por esse caminho. Ele já não estão ficando muito na casa dos pais. Eu não era muito próximo a ele, mas seus pais falaram que não está mais morando com eles", relatou.
Serviço
Apresentação da Orquestra Sinfônica do Festival de Música de Londrina
Solista: Marco Antonio de Almeida, piano
Regência: Josep Caballé Domenech
Dia: 18 (sábado)
Horário: 20h30
Entrada: R$ 30


