Transformando ideias em ação
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sexta-feira, 09 de abril de 2010
Marian Trigueiros<br>Reportagem Local 
Durante uma aula de ciências em que o assunto era problemas de visão como miopia e astigmatismo, o professor quis ir além das dúvidas costumeiras e lançou uma reflexão aos alunos da 8 série de Londrina. ''Questionei como eles imaginavam que seria a vida de uma pessoa com dificuldades ainda maiores, como deficiência visual'', lembra Carlos Henrique Vici. O resultado final foi a confecção de um CD que foi doado a instituições sociais. Com uma outra turma, em Apucarana, o professor desenvolveu um projeto de coleta de pilhas e baterias.
O que ambos projetos têm em comum? Acabaram de receber o primeiro lugar no prêmio ''Construindo a Nação 09/10'', promovido pelo Instituto da Cidadania Brasil, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). Por este motivo, o professor é só sorrisos. ''O prêmio é a consagração do projeto. Mas o mais importante é que os alunos abraçaram a causa e conseguiram desenvolver situações em que a ciência pode melhorar a vida da comunidade'', comemora.
Em Londrina, o projeto foi desenvolvido no Colégio Berlaar Santa Maria. Como o assunto sobre deficiência visual rendeu muita curiosidade, uma equipe do Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc) foi até a escola. ''Eles aprenderam mais sobre o braile e sobre a vida dos deficientes visuais. Sugeri que poderíamos fazer algo para ajudar na educação deles. Foi quando surgiu a ideia de produzirmos um CD'', comenta Vici.
Este era o início do projeto audiolivro ''A fazenda do Tio Chico'', que estava por vir. Para desenvolver o CD, foram praticamente dez meses de trabalho integrado. ''Nas aulas de português eles aprendiam a narrativa. Na de artes, a confeccionar a capa.''
Tamanho foi a dedicação dos alunos que toda a escola participou. ''Eles criaram as letras das músicas, e as crianças do coral cantaram. Tudo isso resultou num trabalho maravilhoso'', conta o professor. A história se passa numa fazenda e os animais ganham vida nas vozes dos adolescentes. Os 500 CDs produzidos foram doados a diversas instituições de ensino que possuem alunos com deficiência visual.
Em Apucarana, no Colégio Platão, o professor desenvolveu um projeto sobre coleta e destinação de pilhas e baterias. ''Tudo começou da mesma forma despretenciosa e teve grande dimensão. Numa aula de física sobre eletrodinâmica, começamos a falar sobre geradores até chegarmos na questão das pilhas e baterias'', observa Vici.
Intrigados com as consequências que os metais pesados poderiam causar se jogados diretamente no lixo, os alunos, desta vez do 2º ano do Ensino Médio, resolveram desenvolver um coletor de pilhas e baterias. ''Depois de várias sugestões, eles perceberam que teria de ser algo barato e viável. Uma garrafa pet virada com um pequeno corte na parte superior, encaixada num suporte em ferro foi a solução.''
A primeira fase foi colocar nas portas das salas de aula. ''Deu tão certo que eles quiseram ampliar e colocar na cidade. Em conversa com o secretário do meio ambiente, surgiu uma parceria com uma rede de mercados resultando na ampliação da colocação dos coletores'', comenta.
Em oito meses foi coletada uma tonelada de pilhas. ''Isso corresponde a quase três tonéis de construção completamente cheios'', destaca. Tudo foi entregue à secretaria, que deve articular junto ao Ministério Público a destinação correta desse material.
Serviço
A solicitação de CDs por escolas que tenham alunos com deficiência visual pode ser feita pelo telefone (43) 3327-3527


