Transformando flores em renda
Moradoras de Lerroville ingressam no programa Economia Solidária de Londrina para comercializar flores naturais
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de maio de 2019
Moradoras de Lerroville ingressam no programa Economia Solidária de Londrina para comercializar flores naturais
Vitor Ogawa - Grupo Folha 

Os amantes das flores naturais têm um motivo a mais para comemorar. O Programa Municipal de Economia Solidária de Londrina passou a comercializar as flores a preços bastante acessíveis. O empreendimento, chamado “Mais Flores – Lerroville”, é o primeiro deste segmento a ingressar no quadro de grupos da Economia Solidária. Ele disponibiliza flores de pote e folhagens, como amor-perfeito, áster, coléus e gerânio. Também são comercializadas espécies indicadas para arranjos, como o girassol e a helicônia. O grupo também disponibiliza aromas, temperos, fibra de coco, pó de coco e melhoradores de solo, como a casca de arroz carbonizada, que é indicado para o enraizamento em reprodução de plantas por estaqueamento.
As produtoras Lucimara Silveira Sposti e Marli Nunes de Almeida são vizinhas de chácara no Bairro do 58, na PR-445, próximo ao distrito de Lerroville (zona sul). Antes de produzir flores, Sposti tinha três empregos. “Tenho duas crianças, marido e tinha de cuidar da casa e do sítio. Quando minha mãe ficou acamada, deixei os empregos para cuidar dela. Depois, eu não queria voltar aos meus empregos”, detalha.
Foi nessa época que se interessou pelo cultivo de flores e decidiu pelas flores de pote. "Fiz a primeira estufa em setembro do ano passado e a ela ficou abarrotada”, lembra. Ela percorreu as casas de comércio de flores e plantas, mas afirma que o valor oferecido era baixo. Nesse momento a economia solidária entrou em sua vida. “A economia solidária está sendo uma ponte para nós, enquanto produtores. Para a gente que está iniciando um negócio é muito importante. O dinheiro que temos é pouco, porque vem da agricultura familiar. Produzir a gente consegue, mas vender é mais difícil, então a economia solidária proporciona esse espaço para isso”, observa.
Almeida iniciou o cultivo de flores há três anos porque uma parte de seu sítio que estava ociosa. A exemplo de Sposti, ela também participou do projeto do professor Ricardo Faria, da UEL (Universidade Estadual de Londrina), para cultivar plantas tropicais. “Comecei comprando mudas da UEL. Hoje estou com uma plantação razoável”, expõe. Ela afirma que o seu amor pelas flores é grande, porque elas representam vida e alegria. “Pode ter certeza de que quem possui flores em casa possui energia boa também”, crava.
Almeida espera formar um grupo cada vez maior neste segmento dentro da economia solidária. “Nossa expectativa é de atender a região com as plantas tropicais. Estou fazendo curso de ikebana (arranjos florais japoneses) na Seicho-no-iê e vi que é possível criar belos arranjos com elas, mas as pessoas ainda não conhecem esse potencial”, aponta.
Embora cada uma delas cultive individualmente as flores que comercializam, para o programa elas uniram suas forças. Os preços de cada vaso podem variar de R$ 5 a R$ 25. A julgar pelos primeiros dias de atividade, o empreendimento está fadado ao sucesso. A reportagem verificou as boas vendas que elas realizaram durante a Feisol (Feira da Economia Solidária), no Calçadão de Londrina.
O administrador Marcos Gama dos Santos adquiriu um vaso de amor-perfeito. “É uma flor que chama muito a atenção. Comprei de presente para dar para a minha esposa. Ela gosta muito, porque a flor simboliza a vida e a esperança”, destaca.
A dona de casa Lucineia Aparecida Gomes comprou as flores para se presentear. “Eu tenho muitas flores em minha casa, entre suculentas, violetas e ervas medicinais. Achei bonito o vaso de áster e também o de amor-perfeito e vou levar para casa porque fiquei encantada com as cores. Enfeita a casa e deixa um ambiente mais agradável”, declara.
REUNIÕES E OFICINAS DE SENSIBILIZAÇÃO
Os produtores de Londrina que pretendem aderir ao Programa Economia Solidária devem participar de reuniões e oficinas de sensibilização, atividades de formação e assessoria. Cada produtor conta com acompanhamento técnico do Programa na região onde reside, recebendo orientações das equipes de referência, que verificam as habilidades de cada um deles.
O gerente de Inclusão Produtiva da secretaria municipal de Assistência Social, Rodrigo Zambon, conta que o grupo de produtores de flores surgiu de um grupo da UEL (Universidade Estadual De Londrina), que trata da
produção de plantas tropicais. “Como a agricultura familiar faz parte da economia solidária, iniciamos o processo para inserir essas pessoas no programa. No início havia 20 produtores de flores interessados. Alguns aderiram e já existem outras que estão finalizando o processo para ter esse espaço de venda."
Atualmente são cerca de 110 pessoas que atuam nos 37 grupos que integram a Economia Solidária em Londrina. Cada grupo deve ter no mínimo três pessoas. Sobre a redução de grupos que integram o projeto, que já chegou a 60, Zambon ressaltou que a economia solidária sofre com a crise como todos os outros setores. “Mesmo assim tivemos venda expressiva na Páscoa."
Todos os meses são realizadas reuniões para interessados em integrar um grupo. Em maio, os encontros são terças-feiras (dias 14 e 21), às 14h. Em junho as reuniões serão realizadas nos dias 4, 11 e 18, pela manhã, a partir das 9h
Serviço - Produtos de integrantes do programa municipal são comercializados no Centro de Economia Solidária (avenida Rio de Janeiro, 1.278, esquina com a avenida Juscelino Kubitschek), que funciona de segunda a sexta-feira, das 9 às 17h; e também no espaço Café e Arte, na Praça Sete de Setembro, aberta de segunda a sexta-feira, das 8 às 18 h; e aos sábados segue o horário do comércio central. Mais informações sobre o programa Economia Solidária (43) 3378-0577


