Transformando as dificuldades em desafios
Nos primórdios da informatização, quando os computadores ainda eram máquinas de grande porte utilizadas exclusivamente para cálculos matemáticos e de engenharia, o mato-grossense Tarcísio Toledo trabalhou como estagiário na Universidade Federal de Goiás (UFG) e vislumbrou uma nova possibilidade: fazer do computador um mecanismo útil para desenvolver programas das mais diversas funções, como controle de estoque, contabilidade e gestão pública. O que torna Toledo alguém especial dentre os inúmeros programadores que viriam posteriormente é que ele aprendeu a desenvolver sistemas de maneira autônoma.
O estágio na universidade apenas possibilitou ao autodidata que possui o primeiro grau incompleto entrar em contato com as tecnologias inovadoras da informática e, a partir daí, buscar a evolução no assunto com as próprias mãos. Ele dedicou noites a fio ao estudo solitário da informática.
A desconfiança demonstrada por alguns profissionais em determinadas ocasiões foi transformada em estímulo por Toledo. Sempre vi na dificuldade um novo desafio. Sempre busquei ir além daquilo que me diziam ser possível realizar. Afinal, se a minha mente é capaz de idealizar, a minha capacidade me possibilita realizar,
explica.
Foi com essa determinação que o analista autodidata ingressou no meio profissional e foi responsável pela informatização de prefeituras em Goiás, Mato Grosso e interior de São Paulo, em uma época onde a principal ferramenta ainda era a máquina de escrever. Foram 23 anos dedicados às descobertas solitárias, poucas vezes compartilhadas com especialistas acadêmicos. Não há barreiras para aquele que descobre sua capacidade.
Aos 12 anos Marcelo de Sá ganhou uma guitarra dos pais, mas não sentiu interesse imediato pelo instrumento. Aos 14, pediu um violão e obteve uma resposta negativa dos pais. Então, o adolescente juntou suas economias e comprou o seu primeiro violão. Junto, Marcelo adquiriu livros cifrados do instrumento. Eu começava uma música e só parava quando ela estava perfeita, recorda.
Sozinho, Sá foi aprimorando a técnica. Quando você aprende por conta própria, você cria mecanismos que lhe possibilitam alcançar os acordes, criar sonoridades e estilos diferentes. O aprendizado solitário é mais livre, diferente do aprendizado institucionalizado, que lhe exige a execução de técnicas já elaboradas, avalia.
Hoje, Sá é um dos integrantes da dupla João Marcelo e Gustavo e se prepara para lançar o primeiro CD da dupla, repleto de composições próprias. O músico é habilitado não só no violão, mas na guitarra e viola. As dificuldades aparecem, mas você sempre encontra um jeito próprio de driblá-las. Tenho como ponto favorável o fato de ser muito observador.(Maria Antonieta Toledo/Especial para a FOLHA)





