Transformando a dor em solidariedade
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terça-feira, 18 de setembro de 2012
Marcos Roman<BR> Reportagem Local 
''Recebemos a ajuda de muitas pessoas que a gente nem conhece. Então quando nosso filho faleceu decidimos doar os órgãos dele para diminuir o sofrimento de famílias que estão à espera de um transplante para salvar a vida de seus filhos que estão correndo risco de morte''. Essa foi a maneira que o policial militar Eduardo Daniel e a esposa encontraram para retribuir o apoio emocional e financeiro de grande parte da população apucaranense, que se comoveu com o acidente de Nathan Daniel, de 18 anos, que teve morte encefálica uma semana após sofrer um acidente com skate próximo ao Lago Jaboti.
Conforme a assessoria de imprensa do Hospital do Coração, onde o jovem permeceu internado, a retirada dos órgãos foi realizada na sexta-feira no próprio hospital. No mesmo dia, o coração foi transplantado em uma paciente de 61 anos. A cirurgia foi realizada na Santa Casa de Londrina. Já o rim e o pâncreas foram encaminhados para transplantes em outros hospitais da região.
Emocionado, o pai do jovem conta que não sabe como agradecer às centenas de pessoas que se uniram para ajudar nas despesas com o tratamento hospitalar do filho. ''Gastamos cerca de R$ 43 mil com diárias de UTI, exames e uma cirurgia feita para drenar pequenas hemorragias cerebrais. Ao ficar sabendo do nosso sofrimento pela internet, teve gente que vendeu pães de queijo para nos ajudar, outros fizeram rifas, venderam objetos pessoais, e fizeram depósitos em nossa conta-corrente. Foi comovente receber todo esse apoio'', ressalta Daniel.
Ele conta que o filho Nathan não sabia andar de skate. ''Ele recebeu a visita de um amigo de Santa Catarina que é skatista e ficou em hospedado em nossa casa no feriado de 7 de Setembro. No sábado, dia 8, o amigo dele foi visitar uns parentes em Apucarana e deixou o skate em casa. Meu filho pegou o skate e pediu para andar próximo ao lago. Convidei ele ir comigo ao Centro da cidade comigo e minha esposa, mas ele preferiu andar de skate. Algums minutos depois dele ter saído de casa recebi a ligação de uma pessoa contando que ele havia se acidentado'', lembra o pai.
Daniel conta que quando chegou ao local do acidente o filho ainda estava consciente. ''Ele mesmo havia passado o número do meu celular para as pessoas que viram ele caindo e chamaram o Samu'', conta. Segundo ele, após ser socorrido, Nathan foi encaminhado ao Hospital da Providência, em Apucarana. Ele ficou em um quarto convencional, pois não havia UTI disponível, mas no dia seguinte o quadro piorou e ele começou a ter vômitos'', lembra.
De acordo com Daniel, o médico que estava acompanhando o caso pediu a remoção de Nathan para algum hospital de Londrina. ''Como sou funcionário público, meu plano de saúde é o SAS e na Santa Casa, onde ele poderia ser atendido, não havia UTI disponível. Como o caso era urgente decidimos interná-lo no Hospital do Coração. Tive que dar uns cheques para arcar com o tratamento e quando amigos meus e do meu filho souberam que disso começaram a fazer uma campanha na internet para nos ajudar'', explica o policial.
Apesar da cirurgia e do atendimento na UTI, Nathan teve morte encefálica na tarde da última sexta-feira. ''Apesar da dor de perdê-lo, eu e minha esposa decidimos doar seus órgãos. Sabemos que isso não vai trazê-lo de volta, mas é bom saber que essa atitude pode ajudar outros pais que estão tentando salvar seus filhos'', diz Daniel.
''O Nathan era a alegria da nossa vida. Ele fazia curso de Direito e era muito querido por todos que o conheciam, pois era uma pessoa do bem. Sabemos que nunca mais contaremos a presença dele, mas é bom saber que o fato de termos doado seus órgão pode ajudar outros pais a salvarem a vida de seus filhos'', conclui o pai.
O corpo de Nathan foi sepultado na tarde de domingo. Os pais do jovem, que têm mais um filho de 21 anos, afirmaram que ainda não tiveram tempo de contabilizar toda a doação que receberam. ''Não estamos com cabeça para isso, mas agradecemos muito a todos que nos ajudaram.''



