Diante das inúmeras dificuldades que enfrenta o sistema educacional, sobretudo o público, não é difícil encontrar professores e alunos sem motivação e fragilizados. Os primeiros para ensinar; os segundos para aprender. Um cenário que se arrasta há anos e piora a cada dia com a falta de infraestrutura, baixa remuneração, exposição à violência e carga horária exaustiva. Descrentes de que seja possível haver mudança, ambos acabam relegando seus compromissos se tornando vítimas de um sistema considerado ineficaz.
Para estudiosos da área, é necessário acontecer uma transformação radical em toda a instituição organizacional da educação. No entanto, essa mudança deveria ser de baixo para cima, partir do corpo docente, como pontua o professor Cláudio Sproesser, da Universidade Estadual de Londrina (UEL), que ministrou recentemente a palestra Valorização e Motivação do Professor, na Colégio Estadual José de Anchieta, como parte do projeto de PDE desenvolvido na instituição. "O ponto de partida é resgatar o idealismo do magistério", resume.
Segundo ele, o docente é um agente transformador e, portanto, deve se basear nesse ideal para continuar sua trajetória. "O aspecto motivacional e resgate da autoestima precisam partir do próprio professor, ainda que atue em um ambiente desfavorável e sem apoio do sistema educacional. É difícil, mas não impossível. Uma postura mais tranquila, e não somente de cobrança, reflete diretamente no melhor comportamento dos alunos. Estes, certamente, são os mais penalizados da história."
A partir desse encontro, os professores da instituição vão fazer uma série de propostas para o desenvolvimento educacional e pontuar os elementos de tensão e clima da escola. Para o professor de Matemática, Elizeu de Olveira, o sonho de qualquer professor é trabalhar em uma escola sem problemas, mas não é o que acontece. "Palestras desse conteúdo nos orientam como podemos conviver melhor com as dificuldades, sem acumular tanto sofrimento ou frustração. Isso porque nossas vozes dificilmente são ouvidas. Ser professor hoje é uma tarefa árdua e que nos exige muito além da função de ensinar, pois lidamos com vidas", conta.
Com 20 anos de carreira, o professor de Educação Física, Rogério Silva, também revela que já passou por várias fases no ensino. "Já fui estressado, já fiquei doente, já achei que não havia mais solução. Hoje, vejo de outra forma. Talvez o segredo seja tentar manter-se emocionalmente equilibrado, além de, obviamente, bem preparado com o conteúdo." Mais tranquilo em relação ao que pode mudar, evita os embates e diz que o resultado dos alunos tem sido melhor. "A aula transcorre sem problemas e os alunos voltam no dia seguinte."

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