Transferências de delegados de Apucarana podem ser políticas
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terça-feira, 12 de junho de 2001
Maurício BorgesDe Apucarana 
O delegado operacional da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, João Batista Pinto, conseguiu na Justiça uma liminar suspendendo a portaria que determinava a sua transferência para Altônia. A advogada da Associação dos Delegados de Polícia (Adepol), Caroline Said Dias, informou ontem que foi impetrado um mandado de segurança na 4ª Vara da Fazenda Pública, em Curitiba, argumentando que a remoção não enquadra-se em qualquer um dos casos previstos no estatuto da Polícia Civil.
A advogada explicou que uma transferência só pode ser efetivada a pedido do próprio delegado ou por interesse público. Outra motivação mais grave seria no caso de punição, mas não é a situação do doutor João Batista, que não responde sindicância nem processo administrativo, comentou Caroline Dias. Até ontem o delegado operacional João Batista Pinto não havia sido reconduzido ao cargo. Estou dando expediente e à disposição na delegacia, mas sem escala de plantão, afirmou ele.
Para a advogada, a decisão pela transferência pode ter motivação política.
Ontem também o ex-delegado chefe da 17ª SDP, Nabor Bento Lobo Sottomaior, divulgou a cópia do seu último despacho, sobre o inquérito aberto para apurar atos de improbidade administrativa e desvio de dinheiro público na extinta Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) de Apucarana. Com o documento, ele deixou evidente que a sua remoção de Apucarana igualmente poderia ter motivação política, pois o inquérito da APMI investiga atos da administração do ex-prefeito Carlos Scarpelini (PSDB), que seriam do interesse do atual prefeito Valter Pegorer (PFL).
Conforme explicou Sottomaior, o pedido de abertura do inquérito havia sido feito pelo Ministério Público. Ouvi o responsável pela contabilidade da APMI e mais algumas pessoas, mas não havia provas documentais para continuar a investigação, afirmou. Ele negou a versão de que sua transferência seria por falta de empenho na condução do inquérito. Solicitei há mais de 40 ao escritório responsável pela auditoria nas contas da prefeitura e ao Ministério Público os documentos necessários para dar sequência ao inquérito. Não fui atendido, relatou Sottomaior.
Magoado com a sua destituição, ele informou que irá transmitir o cargo ao novo delegado na sede da 17ª SDP. Posse de delegado na prefeitura é coisa simbólica e festiva, disse.
O chefe da Delegacia de Policiamento do Interior (DPI) da Polícia Civil, Clóvis Galvão, informou ontem que o novo delegado-chefe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana será Acácio Gonzaga de Azevedo. A posse está prevista para quarta-feira (hoje), no salão nobre da prefeitura, revelou. Acácio de Azevedo já ocupou o cargo de delegado-adjunto na 10ª SDP de Londrina e atualmente estava na mesma função na 15ª SDP de em Cascavel.
Há uma semana, a posse do novo delegado de Apucarana - que seria Pedro de Jesus Colaço, de Pato Branco - foi cancelada horas antes da solenidade, também programada para a prefeitura. Galvão não explicou o motivo.


