As transferências externas são os recursos mais utilizados pela direção da UEL para reduzir o índice de vagas ociosas na instituição. O recurso tem obtido relativo sucesso desde o fim do Conselho Federal de Educação, há três anos. A taxa de evasão, que era de 6,63% em 2001, fechou 2003 em 4,48%. O pró-reitor Jairo Pacheco acredita, no entanto, que seja impossível reduzir este índice a zero, justamente devido à falta de informação dos vestibulandos quanto à faculdade que pretendem cursar.
''O ensino superior é o mais caro a ser oferecido pelo Estado. Não podemos desperdiçar as vagas'', explicou. ''Chegamos a promover mudanças no processo de transferências externas para aproveitar melhor as vagas remanescentes'', contou.
Segundo Pacheco, o fim do Conselho Federal de Educação e consequente criação do Conselho Nacional de Educação promoveu uma diferenciação cada vez maior entre as grades curriculares. ''Passou-se a valorizar as metas de estudo ao invés de obrigar uma instituição a ter pelo menos 70% de um currículo determinado pelo Ministério da Educação'', disse.
Com o tempo, as disciplinas que compunham os cursos passaram a ficar cada vez mais diferentes, o que fez das transferências por análise de compatibilidade curricular um processo virtualmente impossível. ''Por isso, escolhemos promover uma espécie de vestibular: o aluno faz a prova, mostrando se tem ou não capacidade para acompanhar o ritmo dos estudantes daqui, independente do currículo que ele já tenha cumprido antes'', explicou.
O processo, no entanto, não exclui a incompatibilidade vocacional das causas para a evasão, já que gostar de um curso implica em, basicamente, conhecê-lo. Este é o temor do estudante do ensino médio Wellington Camilo Diniz, 18 anos. Ele estuda em um curso pré-vestibular e pretende fazer direito. ''Quero prestar concursos para garantir estabilidade no emprego'', disse.
Diniz, porém, admite que tem medo de não gostar do curso de direito. ''Escolhi a profissão porque a maioria dos meus familiares também estudou direito. Acho que quero me sentir útil à sociedade e tenho receio de não conseguir sendo advogado'', explicou, ressaltando que até já escolheu uma segunda profissão, no caso de não gostar de direito. ''Quero ser jornalista.''

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