Os 16 presos rebelados na Penitenciária Central do Estado (PCE), em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) aceitaram ontem – depois de 86 horas de negociação – a transferência para os Estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Rondônia. A negociação final ocorreu às 14h30, após uma exaustiva negociação com o governo estadual e a intermediação do Ministério da Justiça. ‘‘Fizemos uma permuta. Eles nos mandarão outros 16 condenados, com alto grau de periculosidade.Teremos que aceitar’’, explicou Carlos Maranhão, secretário interino de Justiça.
Após uma vistoria no presídio, no final da tarde, o coordenador do Departamento Penitenciário do Estado (Depen), Lauro Valeixo, e o diretor da PCE, Cezinando Paredes, garantiram que não houve mortes durante a rebelião. Três presos feridos a golpes de estoque e chutes foram levados ao Hospital Evangélico, em Curitiba. Eles teriam sido agredidos por outros detentos, devido a divergências.
Mesmo com o recebimento de mais internos, o secretário de Segurança, José Tavares, disse que não teme novas rebeliões. ‘‘Vamos adotar uma série de medidas para evitar isso’’, disse. Entre as medidas anunciadas estão um maior controle interno das penitenciárias, ação de profissionais na fiscalização de visitas, acompanhamento das reivindicações jurídicas e finaliação das construções em andamento no Estado. ‘‘Tem que haver um controle mais rigoroso, que passa pela conclusão da reforma da PCE’’, afirmou.
Essas reformas foram apontadas como responsáveis pela entrada de armas no presídio. ‘‘As armas podem entrar com os sacos de cal, de cimento. Não existe qualquer ficalização’’, denunciou um agente penitenciário em entrevista à Folha. A reforma do prédio de administração e segurança, queimado na rebelião de junho, deverá durar quatro meses e custará cerca de R$ 1 milhão. ‘‘Não sabemos se foi desta forma que as armas entraram. Mas temos que evitar que isso volte a acontecer’’, disse Tavares.
A transferência dos 16 presos teve o apoio do advogado Oscar Gonçales, que defende os internos Manoel de Oliveira – um dos líderes do motim e sequestrador de Wellington Camargo, irmão da dupla sertaneja Zezé de Camargo e Luciano –, Luis Carlos Pires e Paulo Fernandes Menezes. Depois de serem vistoriados por policiais militares, os presos foram encaminhados ao Centro de Orientação e Triagem (COT), de onde foram ao Aeroporto do Bacacheri, em Curitiba. Eles viajaram em três aviões do Governo do Estado, que partiram entre as 17h40 e as 18h15.
Dos sete reféns, seis foram liberados ao final do motim. Antonio Setter da Silva, foi libertado antes das 8 horas de ontem, em troca de alimentação, água e energia.
O advogado Dálio Zippin Filho, da comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), considerou a negociação um sucesso, apesar da demora na solução do impasse. Participaram da operação de transferência de presos cerca de 440 policiais militares.

mockup