Transferência de presos revolta moradores
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segunda-feira, 29 de abril de 2002
Emerson Dias e Telma ElorzaReportagem Local 
A transferência de 23 presos da cadeia de Rolândia (25 km a oeste de Londrina) para Sabáudia (65 km a oeste de Londrina), realizada ontem de madrugada, revoltou os moradores, que reclamam da falta de segurança no local. O prefeito de Sabáudia, Wilson Mendes (PFL), mostrou o descontentamento cortando o combustível e barrando funcionários do município que preparavam a comida e cuidavam da limpeza na cadeia.
Estes dois delegados (de Rolândia e de Arapongas - responsável por Sabáudia) não estão preocupados com a segurança da cidade, protestou Mendes. Os quatro policiais que atendem toda a população ficarão apenas se revezando na delegacia.
Para o comerciante Ademilson Durante, que mora a pouco mais de 50 metros da delegacia, a decisão da polícia foi infeliz. Já tivemos superlotação aqui e não queremos mais isso. Temos cerca de seis mil habitantes e não podemos aumentar a população desta maneira, ironizou.
As celas, com capacidade para apenas oito presos, abrigava quatro mulheres, que foram transferidas para Astorga. Desde a madrugada de ontem, apenas dois homens fazem a segurança do grupo. A Folha tentou falar com o delegado de Arapongas, Édimo José Hermenegildo, mas não conseguiu localizá-lo.
A cadeia de Rolândia estava funcionando de forma precária desde novembro do ano passado, depois que uma tentativa de rebelião destruiu parte da estrutura, que já era frágil. O local estava interditado parcialmente, por ordem do juiz Alberto José Ludovico, desde o começo do mês.
Segundo o delegado de Rolândia, Walter Helmut Júnior, os 24 presos que ainda estavam no local começaram a ser removidos na sexta-feira. Um preso já condenado foi encaminhado para Curitiba e os outros 23, removidos na madrugada de ontem para Sabáudia. As obras devem estar prontas em 30 dias, no máximo, disse.
De acordo com o delegado, será reformada toda a estrutura interna da carceragem, com a recuperação dos estragos promovidos e reforço em área considerada críticas na segurança. Basicamente vamos fortalecer a segurança. A ampliação, afirmou, ainda não foi autorizada pela Secretaria de Estado de Segurança Pública.
Segundo Helmut, enquanto durarem as obras todos os presos de Rolândia deverão ser encaminhados para outras cidades próximas. Vamos levá-los para qualquer cidade que tenha condições de recebê-los.


